O impacto da heteronormatividade compulsória nas escolhas afetivas
Enviada em 03/07/2023
A Constituição Federal, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 5 a igualdade como direito comum a todos os cidadãos. É notório, porém, que essa declaração acerca da imposição da heterossexualidade como o modo correto de relacionamentos mostra-se utópica, uma vez que esse pensamento arcaico impacta negativamente a vida daqueles que não se encaixam nessa definição. Percebe-se que a construção patriarcal da sociedade é a principal causa da exclusão de pessoas não cis e de mulheres cis, haja vista que o corpo social molda-se ao redor da imagem masculina, sem o menor interesse em igualar as pessoas. Tal composição apresenta sérios empecilhos para o progresso social e configura um grave problema a ser combatido.
Em principio, é indiscutível que o machismo acarreta em um país onde os indivíduos têm medo de assumir suas sexualidades por medo do preconceito e que as mulheres têm seu espaço desrespeitado. Isso coloca em risco o Contrato Social de John Locke, que define a relação mútua indivíduo-sociedade, onde o ser individual abre mão de seus aspectos primitivos em troca da segurança de viver em coletividade. Em um meio social onde a igualdade não é verdadeiramente posta em prática, essa segurança torna-se apenas uma ilusão, escancarando a incapacidade governametal de garantir o direito das pessoas.
Ademais, as pessoas vitimadas por esse sistema têm problemas para se relacionar por conta do julgamento, o que evidencia o pensamento popular de que essa aceitação de identidade é errada e desperta a indignação do vítima com a sociedade. O escritor inglês Oscar Wilde aponta o descontentamento como o primeiro passo para a mudança de uma nação, sendo, portanto, necessário que a população busque maneiras de manifestar o seu aborrecimento.
Por conseguinte, é indubitável que o governo assegure, por meio de leis e campanhas, o direito dessas de pessoas serem livres para fazerem suas escolhas, a fim de que a constituição deixe a utopia e encontre a realidade. É necessário também que o governo incentive a comunidade a prestar ajuda para essas pessoas, de modo que a empatia ganhe mais visibilidade que o preconceito, tornando essa uma nação mais igualitária.