O impacto da heteronormatividade compulsória nas escolhas afetivas

Enviada em 09/04/2024

Cal Jacobs, pai de Nate na série “Euphoria” concilia as aparências de uma família heteronormativa supostamente perfeita com diversos casos sexuais com homens e mulheres trans, evidenciando uma repressão à sua orientação sexual que afetou o rumo da sua vida.

A heterossexualidade compulsória está muito presente na sociedade atual, não somente influenciando indivíduos a ir contra suas vontades, mas também a internalizarem algo que nem sequer comprovaram.

Primariamente, é importante destacar que a idéia de que um casal deve ser composto por duas pessoas de sexos opostos é enraizada no contexto mundial, e muitas vezes disseminada por familiares, instituições religiosas ou pela mídia. Na série “A Maldição da Mansão Bly” a protagonista Dani noiva com seu amigo de infância, se mostra arrependida quando percebe que na verdade sente atração por mulheres, mas se sente presa e com medo terminar a relação devido a toda a pressão familiar e sentimento de culpa envolvido. Apesar da série se passar na década de 1950, situações como essa são presentes no cotidiano de muitos integrantes da comunidade LGBTQIAP+, que devido a exigências familiares, sociais ou profissionais, se sentem obrigados a se esconder através de relacionamentos heterossexuais, com receio do julgamento ou até mesmo da violência que podem sofrer.

Além disso, essa compulsoriedade pode até mesmo impedir alguém de descobrir sua sexualidade. Sob essa ótica, a personagem Victoria do livro “Ela é mais do que você imagina” da autora V. S. Vilela perde a vontade de se envolver com garotos, sente interesse por garotas, mas logo descarta a idéia de se envolver com uma pois, na sua cabeça, ela não é homossexual, apenas não encontrou o homem certo. A situação da personagem é uma demonstração de como a falta de representatividade e tolerância do mundo atual pode moldar a cabeça de um indivíduo ao ponto de ele não saber do que gosta ou quem é.

Portanto as mídias sociais e instituições educacionais, como canais de televisão, jornais, escolas etc., devem trazer informações e discussões sobre a heteronormatividade, a fim de derrubar estigmas quanto ao assunto, promovendo então maior visibilidade e representatividade acerca de relacionamentos não hétero-cis-normativos. Assim, as futuras gerações sentirão menos os impactos que esse padrão social causa, e a sociedade será mais tolerante e acolhedora em relação às diferenças de cada um.