O impacto da heteronormatividade compulsória nas escolhas afetivas

Enviada em 20/07/2024

Em seu poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, o autor modernista Manoel Bandeira vislumbrou uma sociedade idealizada, para se refugiar de uma realidade na qual o eu lírico não era feliz, evidenciando a insatisfação no tocante ao mundo concreto. Nesse sentido, fora da ficção, no Brasil, muitos indivíduos são acometidos por tal adversidade, uma vez que são vários os desafios do impacto da heteronormatividade compulsória nas escolhas afetivas.. Logo, essa problemática ocorre em virtude do descaso governamental e da lacuna educacional.

Sob esse viés analítico, cabe enfatizar que a negligência estatal possui íntima relação com o revés. Nessa ótica, segundo John Locke, “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Todavia, a inércia governamental direcionada a tais pessoas não cumpre com o previsto na Carta Magna, visto que embora esteja esperado o princípio da isonomia, no qual todos devem ser tratados igualmente, há uma ineficiência estatal devido às faltas de investimento em políticas públicas. Dessa forma, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Ademais, é válido ressaltar que a lacuna no sistema de educação potencializa essa conjuntura. Nesse contexto, isso acontece porque, desde o século XX, com a implementação de um formato tradicionalista de ensino pelo ex-presidente Vargas, cristalizou-se um modelo educacional que negligencia o aprendizado de temas transversais. Sob essa perspectiva, com o desconhecimento de parte da população - oriundo da escassez instrutiva - sobre a relevância da garantia de direitos, há uma invisibilização da situação sofrida pelas pessoas que não possuem equidade social. Nessa lógica, mantém-se o quadro de ausência de ações sociais efetivas no que tange à reversão desse contexto, fragilizando, com isso, a isonomia presente nas relações democráticas. Portanto, é imprescindível combater a falha do processo educacional, visto que marginaliza uma classe da sociedade.

Destarte, é necessário que a situação seja dissolvida. Para isso, o governo, órgão responsável por garantir a condição e a existência de todos, deve investir em políticas de educação adequada e apoio psicológico, por meio de investimentos e pelo exercício das leis, a fim de sanar a desigualdade de gênero existente no cotidiano desses grupos. Assim, o ideal de Bandeira, será, de fato, uma realidade.