O impacto da heteronormatividade compulsória nas escolhas afetivas

Enviada em 04/06/2025

O filme estadunidense “Brokeback Mountain” dirigido por Ang Lee retrata a vida de dois homens em um relacionamento homoafetivo, os quais enfrentam preconceitos internos e externos, acarretados por uma perspectiva heteronormativa compulsória. Todavia, tal realidade não se limita às telas, já que, nas escolhas afetivas cotidianas, há fatores impactantes, tais como o teológico e biológico.

A priori, vale destacar o princípio bíblico ocidental, em que a Gênesis - primeira parte do Antigo Testamento - traz as figuras de Adão e Eva como companheiros ideais, representados por gêneros opostos. Nesse sentido, relações amorosas distintas da heteronormativa são marginalizadas. Em consonância, a música “Fable”, composta pela artista Gigi Perez no seguinte trecho: “O amor era a lei e a religião foi ensinada”, reafirma a influência teológica na sexualidade de diversas pessoas.

Outrossim, evidencia-se conceitos genéticos como reforços a uma concepção de padrão afetivo heterosexual, visto que, biologicamente, a reprodução sexuada ocorre com a penetração do gameta masculino (espermatozoide) no gameta feminino (óvulo). Em contraponto, os mesmos fatores biológicos podem gerar insegurança em indivíduos que fogem à “regra”, influenciando assim em suas escolhas sexuais.

Portanto, medidas precisam ser tomadas pelo governo federal. O Ministério da Educação e Cultura, atrelado ao Ministério das Comunicações, deve criar estratégias de conscientização e desmistificação de um padrão heteronormativo compulsório como única possibilidade amorosa, e disseminá-las à população, usufruindo-se dos diversos tipos midiáticos. Desse modo, a realidade dos indivíduos homossexuais não será mais semelhante à vivência das personagens do longa-metragem “Brokeback Mountain”.