O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 02/11/2021
O artigo 6º da Constituição Federal de 1998 assegura, entre outros direitos sociais, o direito de todo brasileiro ao acesso à educação. No entanto, com o sistema educacional cada vez mais tecnológico e em uma sociedade cada vez mais desigual, muitas pessoas ficam à margem desse processo e sem acesso a esse direito. Ademais, com a tecnologia, a educação tradicional vive uma crise sem precedentes. Destarte, urge que o direito à tecnologia nas escolas seja ampliado a todos e que a educação tradicional seja repensada imediatamente.
Neste contexto, é correto afirmar que o impacto da tecnologia na educação ainda é uma realidade de poucos no Brasil. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, o número de brasileiros que vivem na pobreza quase triplicou em seis meses. Sob esse prisma, é nítido que o escalonamento da pobreza inviabiliza o acesso à tecnologia nas escolas por parte da população menos abastada, que, muitas vezes, estuda em lugares com estrutura precária e sem o básico, como assentos sem qualidade e refrigeração. Dessa forma, é premente que o Estado garanta o acesso aos meios educacionais tecnológicos a todos os alunos do país.
Paralelo a isso, com a ascensão da tecnologia, a educação tradicional e seus defensores vêm sofrendo revezes. “Não são as crises que mudam o mundo, mas nossa reação a elas”. Sob essa perspectiva, a frase do sociólogo polonês Bauman permite refletir acerca da crise no modelo tradicional provocada pela inserção da tecnologia no processo de ensino. Se antes livros, cadernos e quadro negro bastavam; agora, isso não é o suficiente, sendo fulcral a utilização de tablets, celulares etc. na realização de atividades escolares. Dessa maneira, é preciso que a sociedade adapte-se ao progresso tecnológico na educação como resposta à crise do modelo tradicional.
Diante do exposto, é necessário, portanto, que o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Educação, crie um programa de distribuição de dispositivos tecnológicos a alunos de famílias menos favorecidas, por meio do direcionamento de verbas públicas a estados e municípios, com vistas a equiparar o acesso à tecnologia educacional dessa fatia da população à fatia mais rica. Nesse sentido, o programa disponibilizaria celulares, tablets e dados móveis para que os alunos beneficiem-se da tecnologia em seus estudos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação ofertar capacitação aos professores e conscientizar a população sobre os impactos positivos da tecnologia na educação, por intermédio de palestras. Assim, os impactos benéficos da tecnologia na educação chegarão a todos, que poderão ter acesso ao direito pleno à educação do mundo contemporâneo.