O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 01/11/2021

Consoante  o filósofo contemporâneo Pierre Lévy, vive-se a era da cibercultura, realidade na qual as tecnologias da informação estão presentes no cotidiano, inclusive como ferramenta do processo de aprendizagem. Esse contexto digital é responsável por efeitos positivos no ensino, como a possibilidade de tornar a educação mais emancipadora, porém aprofunda o abismo existente entre os alunos que têm recursos e os que não têm. Logo, é necessário que ações afirmativas sejam realizadas pelo governo para corrigir as disparidades existentes no acesso ao conhecimento.

Sob esse viés, em primeiro lugar, é necessário destacar a importância do uso adequado dos recursos tecnológicos para uma educação libertadora. Nesse sentido, para o célebre educador Paulo Freire, a educação que emancipa é aquela que valoriza e utiliza os conhecimentos prévios do estudante, reconhecendo-oscomo sujeitos ativos no processo de aprendizagem. Dessa maneira, considerando o contexto da cibercultura, é notório que a geração dos nativos digitais possui facilidade para compreender informações disseminadas no plano virtual, justamente por fazer parte da realidade dela, o que favorece o aprendizado. Exemplo disso é a gamificação, projeto tecnológico que usa os princípios de jogos on-line para ensinar conceitos de química, física e demais matérias.

Contudo, os impactos do uso da tecnologia no ensino, frequentemente, são negativos em países marcados por desigualdades profundas, como o Brasil. Isso ocorre porque, apesar de a Organização das Nações Unidas (ONU) ter considerado a internet como um direito humano, 25% dos brasileiros, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, não tem acesso à rede mundial de computadores, situação que praticamente inviabiliza o pleno uso dos instrumentos tecnológicos para a aprendizagem. Essa carência de recursos, classificados como básicos para a cibercultura, provoca a exclusão social dos estudantes mais pobres e dificulta o acesso à educação de qualidade por eles.

Portanto, urge que os entes federados atuem para garantir que os efeitos positivos do uso das tecnologias no ensino sejam democratizados. Cabe ao Ministério da Educação, por meio de recursos advindos da tributação das grandes fortunas, promover a acessibilidade aos computadores e tablets nas escolas públicas, especialmente com a parceria de projetos de gamificação, a fim de tornar a educação mais efetiva e instigante. Assim, o ensino no país poderá emancipar todos os estudantes, independente das condições financeiras, como um dia sonhou o patrono da educação brasileira.