O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 31/10/2021

O quadro expressionista “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela falta de medidas que incluam a tecnologia na educação é amiudamente, semelhante ao ilustrado. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e aspectos socioculturais.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa o cenário de exclusão da tecnologia nas escolas. Esse contexto de inoperância de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmut Bauman, que as descreve como presentas na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social. Sob essa óptica, devido à baixa atuação das autoridades, pouco é articulado para incluir os meio tecnológicos na aprendizagem, assim, o governo não garante o direito ao desenvolvimento, fato que evidencia a carência de ações assistencialistas tanto às escolas, quanto aos alunos. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Ademais, vale destacar o fator grupal. Conforme Jurgen Habermas, razão comunicativa - ou seja, o diálogo - constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse mesmo plano, a falta de debate acerca da importância da tecnologia na formação dos alunos, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, resulta em uma sociedade que não reinvindica melhoras nessa área, uma vez que adotam postura impessoal, como se o problema não afetasse o corpo social. Nessa conjuntura, o cidadão não cumpre sua cidadania, pois seus direitos não são buscados, nem seus deveres, marcando necessidade de mudança. Nesse sentido, dados do Censo Escolar indicam que apenas 31,4% do Norte possui acesso á internet nas escolas, dado que confirma o cenário supracitado.

Entende-se, portanto, a chaga como sendo intrínseca de raízes administrativas e culturais. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos, deve debater o assunto com pedagogos e professores, com o intuito de valorizar os meios digitais na educação, além de estimular o pensamento particioativo de todos, ao mostrar seus benefícios. Essa medida ocorrerá por meio da criação de um projeto estatal, com o Ministério das Comunicações, ao incluir o mesmo nas Diretrizes Orçamentárias. Em adição, o Governo Federal deve destinar verbas no intuito de preparar os professores das redes de ensino a lessionar com o uso de ferramentas tecnológicas, com o intuito de dar assistência a eles. Desse modo, com a revigoração das instituições zumbis e a deliberação, o quadro não terá parte da realidade.