O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 31/10/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “O cidadão de papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar o atual impacto da tecnologia na educação, constata-se que a tese do escritor não tem sido assegurada, uma vez que a exclusão digital impede que estudantes de baixa renda usufruam dos benefícios tecnológicos. Com efeito, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.

É importante considerar, antes de tudo, o fator grupal. Conforme Jurgen Habermas, a razão comunicativa - ou seja, o diálogo - constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito dos impactos da tecnologia na educação, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona a desproporcionalidade na utilização desses utensílios, haja vista que a população de baixa renda não dispõe dos recursos necessários para o pleno aproveitamento dos benefícios tecnológicos. Destarte, discorrer criticamente sobre a problemática é o primeiro passo para a legitimação do progresso sociocultural habermaseano.

Além disso, merece destaque o quesito constitucional. Segundo Jean-Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida na circustância natural para que o Estado garanta direitos intransigentes. A falta de acesso à internet por parte da sociedade, entretanto, contrasta com a concepção do pensador na medida que escolas de cidades interioranas não possuem a infraestrutura necessária para suportar a conexão na rede. Logo, a fim de oferer condições igualitárias a todos estudantes, é preciso desenvolver diretrizes governamentais capazes de fornecer auxílio a regiões menos favorecidas. Dessa forma, com o fito de dirimir o revés, ações precisam ser executadas pelas autoridades competentes.

Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrísteco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos, irá discutir o assunto com professores e especialistas em tecnologia da informação, com o objetivo de mostrar as principais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, uma medida provisória deve ser elaborada para suprir a infraestrutura deficitária das regiões mais carentes. Desse modo, com a razão comunicativa de Habermas e a justiça de Rousseau, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.