O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 01/11/2021
No longa-metragem “Sociedade dos Poetas Mortos” é retratada uma escola preparatória para meninos conhecida por suas antigas tradições e alto padrão. Entretanto, o novo professor de inglês percebe o quanto os métodos de ensino são ineficientes para o aprendizado e introduz maneiras diferentes. Fora da ficção, o filme pode se relacionar a realidade do Brasil que apresenta formas de ensino improdutivas que poderiam ser aperfeiçoadas com o uso de tecnologias. Assim, tais mudanças gerariam vantagens como a capacidade do aluno acessar e ter ciência de qualquer assunto, mas como consequência, os docentes devem considerar a sobrecarga de informações resultante desse acesso ilimitado.
A priori, é importante ressaltar que a inserção de tecnologias na educação produziria muitos pontos positivos, como o acesso a dados e conhecimentos que antes eram inacessíveis a boa parte da comunidade. Segundo a pesquisa TIC Domicílios de 2019, o número de brasileiros que usam a internet continua crescendo: subiu de 67% para 70% da população, o que equivale a 126,9 milhões de pessoas. Nesse sentido, o dado evidencia que, cada vez mais, o número de indivíduos que têm acesso a essas informações aumenta. Ademais, esse conhecimento amplia o potencial de aprendizagem, fornecendo rapidamente aos discentes informações recentes e mais adaptadas às suas necessidades específicas.
Por conseguinte, essa disponibilidade de assuntos oferecida pode gerar uma grande sobrecarga de informações nos usuários. De acordo com Bauman, filósofo polonês, “a tecnologia da informação é uma biblioteca de pedacinhos de fragmentos sem algo que os reúna e os transforme em sabedoria e conhecimento”. Dito isso, além de afetar certas capacidades psicológicas como atenção e concentração (características essenciais no aprendizado), a validade das fontes da internet varia, o que significa que os discentes podem adquirir e absorver facilmente as famosas “fake news”. Dessa forma, os docentes devem ter ciência disso ao ensinarem seus alunos métodos de filtragem de informações.
Faz-se mister, portanto, que o Estado tome providências para inserir, efetiva e positivamente, a tecnologia na sala de aula. Destarte, para que os métodos de ensino e aprendizagem sejam atualizados, urge que o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, façam, por intermédio de verbas governamentais, mudanças no Plano Nacional de Educação e insiram, paulatinamente, as tecnologias nas salas de aula a partir da modernização de espaços, ferramentas e práticas educacionais. Assim, os alunos devem desenvolver a competência para usufruir e compreender as tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa e ética nas diversas práticas sociais. Dessa forma, espera-se que a tecnologia seja positivamente inserida nas salas de aulas, assim como os métodos do professor de inglês em “Sociedade dos Poetas Mortos”.