O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 12/11/2021

Na série de filmes “Jogos Vorazes”, a população de baixa renda não tem acesso à digitalidade. Assim, a Capital, a qual controla e governa a sociedade, distribui aparelhos e equipamentos para que tais indivíduos consigam assistir às competições anuais. Fora da ficção, não há acessibilidade aos meios digitais no cenário brasileiro, impedindo que a tecnologia gere impacto na educação dos estudantes de pequeno ganho monetário. Posto isto, uma análise que vise buscar fatores para solucionar a problemática supracitada deve levar em consideração as diferenças socioeconômicas e o sistema capitalista.

Sob essa óptica, a desigualdade social apresenta influência determinante na problemática tecnológico-educacional. Segundo o geógrafo Milton Santos, em seus estudos sobre a sociedade globalizada, a coletividade foi dividida em duas categorias: os pontos luminosos, que recebem assistência governamental e têm seus direitos garantidos, e os locais opacos, as áreas periféricas e vulneráveis. Nessa perspectiva, os indivíduos em situação de vulnerabilidade não têm acesso à internet e seus equipamentos de acesso, ao contrário das pessoas amparadas e de classes mais altas, reforçando e provando que a tecnologia ainda não possui impacto de forma democrática nas escolas.

Ademais, o capitalismo deve ser abordado para a exegese do problema relacionado ao impacto das tecnologias na educação. De acordo com o filósofo Karl Marx, em sua pesquisa sobre o funcionamento da sociedade, o modelo capitalista prioriza o lucro e a exploração em massa, inferiorizando os direitos básicos e o acesso a educação de qualidade. Dessa forma, esse sistema econômico, vigente atualmente no Brasil, age como um impedimento para a plena acessibilidade à esfera tecnológica no ambiente nacional, uma vez que, para gerar alta lucratividade, a internet e seus equipamentos de conexão têm um preço elevado, impossibilitando a população de baixa renda de adquiri-los e, assim, utiliza-los no desenvolvimento educativo.

Evidencia-se, portanto, que atitudes são necessárias para que a tecnologia tenha um impacto positivamente maior na educação brasileira. Para isso, cabe ao Governo Federal, aliado a empresas da área tecnológica, por meio de parcerias público-privadas, criar um vasto plano de ampliação do acesso ao meio digital. A primeira etapa será destinar 1% do PIB nacional para a criação de um “auxílio-digitalidade”, que vai ser distribuído a estudantes em situação de vulnerabilidade em localidades periféricas. Subsequentemente, haverá o desconto em impostos destinado às instituições que diminuírem o preço de equipamentos e aparelhos, propiciando a compra para alunos de baixa renda auxiliados. Somente assim a tecnologia terá um impacto assertivo e democrático na educação.