O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 06/11/2021

A partir do uso intensivo de novas tecnologias – inteligência artificial, internet das coisas, computação na nuvem –, abre-se imensas possibilidades, como a Quarta Revolução Industrial, que prenuncia um avassalador avanço na produtividade dos fatores de produção. Da mesma forma, a área de ensino sofrerá grandiosos efeitos, tanto em sua infraestrutura – laboratórios interativos, simuladores, realidade virtual – quanto na interação entre alunos e professores, a exemplo do ensino à distância. Todavia, na contemporaneidade brasileira, a fim de que os impactos positivos da tecnologia na educação sejam sentidos, entraves necessitam ser removidos, entre eles a negligência estatal e a mudança em práticas educacionais. Diante disso, deve-se analisar esses aspectos, para o pleno usufruto das inovações.

A princípio, faz-se mister notar a falta de compromisso governamental com a educação como obstáculo às benfazejas decorrências do progresso dela. Nesse sentido, pela teoria contratualista, os indivíduos abrem mão de sua plena liberdade, submetendo-se as leis do Estado, para que esse, em nome da coletividade, promova o bem comum. Contudo, a política – a condutora do ente estatal – descuida da população em favor da austeridade fiscal. Em consequência, a crônica falta de recursos impossibilita a aquisição da infraestrutura para um projeto de escola tecnológica, a exemplo do veto presidencial a iniciativa do Congresso Nacional de destinar três e meio bilhões de reais para internet voltada à educação, ocorrida em 2021. Assim, sem equipamentos adequados, não há benefícios.

Outrossim, é igualmente relevante apontar a necessidade de mudanças em procedimentos pedagógicos como um elemento de dificuldade à implantação em comento. Sobre isso, Pierre Bourdieu afirmava que o “habitus” – conjunto de práticas socialmente aprendidas de determinada campo ou fração de classe – é mais refratário às alterações, mais do que às ideias. Com esse pressuposto, ainda mais diante da evidente necessidade de mudança de paradigmas que os novos equipamentos de ensino e formas de execução de aulas exigirão, haverá a necessidade de redobrado esforço de qualificação dos educadores, com o intuito de vencer essa resistência. Logo, em um cenário de escassez de verbas, a já dificultosa tarefa, se tornará mais árdua, podendo solapar aquela iniciativa.

Urge, portanto, à vista do exposto, que os empecilhos para as alvissareiras decorrências do uso da tecnologia na formação educacional sejam suplantados. Dessarte, o Ministério da Educação deve propor programa multidisciplinar – denominado “Escola do século XXI” – com o fim de capacitar as instituições de ensino a preparar os jovens para a nova era que a Quarta Revolução Industrial prediz. Tal iniciativa será implementada por meio de dotação de recursos destinados à aquisição de infraestrutura compatível à finalidade, além de treinamento dos docentes aos novos instrumentos.