O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 04/11/2021

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca dos impactos da utilização da tecnologia na educação; fato que apesar de possuir grande relevância nos dias atuais, devido ao enorme potencial de quebra de barreiras e paradigmas, pode apresentar grandes desafios em sua consolidação. Assim, verifica-se a configuração de entraves de contornos específicos, em virtude do individualismo social e da inobservância estatal, que culminam em obstáculos na plena equidade de acesso a esse meio.

Primeiramente, constata-se que a sobreposição de interesses particulares encontra terra fértil nos impactos negativos da tecnologia na educação. Nessa lógica, vê-se que empresas tecnológicas priorizam pessoas que possuem maior poder aquisitivo, haja vista os altos preços de seus produtos. Nesse contexto, enquanto uns têm pleno acesso ao avanço e às vantagens nessa área, outros, menos favorecidos, são excluídos desse jogo e, assim, a parcela mais privilegiada normaliza tal premissa, fato que corrobora para a manutenção desse privilégio. Analogamente, o sociólogo Zygmunt Bauman relata a dificuldade dos cidadão em enxergar realidades distintas das próprias, o que reforça a desigualdade social. Diante disso, pode-se pontuar que a visão de Bauman é legitimada pela passividade coletiva, suscitada por uma visão egocêntrica que potencializa o abismo educacional brasileiro.

Ademais, cabe salientar que os impactos negativos da tecnologia na educação deriva, ainda, da baixa atuação de setores governamentais, no que concernem à criação de mecanismos que atenuem tais recorrências. Nesse aspecto, Conforme o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Entretanto, no Brasil, observa-se justamente o contrário, uma vez que a escassez de ações e projetos sobre a tecnologia na educação, somados à ausência de políticas públicas eficientes nessa área - por exemplo, a redução de preços da internet, bem como, maior facilidade de aquisição de produtos tecnológicos pela população mais carente- torna o país cada vez mais desigual. Consequentemente, observa-se que as escolas públicas -no tangente à qualidade de ensino- encontram-se muito defasadas em relação as escolas particulares, que podem usufruir do pleno acesso aos meios digitais como reforço educacional.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução dessa problemática. Dessa forma, com o objetivo de trazer impactos positivos referentes ao uso da tecnologia na educação, bem como ampliar a democratização do acesso ao meio digital, o governo federal, por meio de verbas governamentais, deve criar programas de subsídios destinados às famílias carentes, para que elas possam usufruir de melhores planos de acesso à internet e com isso, facilitar o acesso dos jovens a sites de pesquisa e às aulas EAD, reduzindo, assim, o abismo social entre alunos de escolas públicas e privadas.