O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 05/11/2021

“O futuro já chegou, só não está uniformemente distribuído”. A frase do escritor William Gibson sintetiza brilhantemente a nova era em que estamos vivendo atualmente. De fato, a tecnologia já faz parte do cotidiano de boa parcela da população brasileira, principalmente dos mais ricos; porém, em contrapartida, ainda existem desigualdades de acesso das ferramentas pelos menos abastados. Tal disparidade também afeta o ambiente escolar, o qual passa por reformas de aprendizagem, a fim de englobar a modernidade. Essa diferenciação desde a infância pode ser o começo de outras assimetrias, impactando negativamente a nova geração.

Nesse sentido, é benéfico a escolha das escolas em adotarem um novo tipo de ensino, integrado com as redes de informação, uma vez que o aluno é cada vez mais íntimo da tecnologia. Contudo, é importante salientar que nem todos possuem igual oportunidade de acesso à internet e a smartphones, e nem sempre o colégio consegue providenciar esses recursos, o que gera uma disparidade entre os alunos de diferentes instituições. Por exemplo, uma escola particular em que os estudantes utilizam “laptops” individuais para estudarem robótica é uma realidade distinta de um colégio público, no qual faltam recursos financeiros para pagar salários dos funcionários, quiçá a compra de computadores. Esse cenário é chamado de “globalização como perversidade”, conceito criado pelo geógrafo Milton Santos, o qual percebeu que a modernidade só alcançou os indivíduos mais abastados, enquanto que os mais vulneráveis ficaram à mercê da globalização, excluídos.

Ademais, a assimetria no uso das ferramentas digitais nos colégios pode ser o começo para novas desigualdades sociais. Isso porque uma deficiência no estudo basal escolar acarreta prejuízos posteriores na contrução de um currículo e na procura de um emprego. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, para ascender socialmente é necessário que o indivíduo acumule “capitais”, tais quais cultural, econômico e acadêmico. Esse último refere-se à educação escolar e à faculdade, que podem gerar prestígio para o portador do diploma. Entretanto, se desde a infância ocorrer disparidades, o ingresso em uma universidade pode ser comprometido tanto quanto uma melhora da condição econômica e social, por exemplo. Logo, medidas devem ser tomadas quanto às tecnologias nas escolas.

Em suma, é mister que o Governo Federal busque verbas no Banco Internacional para Desenvolvimento, por meio de empréstimos a juros baixos, a fim de ofertar às instituições de ensino público renda suficiente para a compra de equipamentos digitais, tais quais computadores de uso coletivo para as aulas, já que as desigualdades do país não podem ser agravadas e o futuro deve ser igualmente distribuído a todos.