O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 05/11/2021
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca dos impactos da utilização da tecnologia na educação; fato que, apesar de possuir grande relevância nos dias atuais, devido ao enorme potencial de quebra de barreiras e paradigmas, pode apresentar grandes desafios em sua consolidação. Assim, verifica-se a configuração de entraves de contornos específicos, em virtude do individualismo coletivo e da inobservância estatal, que culminam em obstáculos na plena equidade de acesso a esse meio.
Primeiramente, constata-se que a sobreposição de interesses particulares encontra terra fértil na baixa democratização do acesso ao meio tecnológico no ensino. Analogamente, o sociólogo Zygmunt Bauman relata a dificuldade dos cidadão em enxergar realidades distintas das próprias. Diante disso, pode-se pontuar que o individualismo acaba por gerar impactos negativos referentes ao uso da tecnologia por reforçar o abismo social existente na sociedade brasileira, uma vez que empresas tecnológicas priorizam o acesso daqueles com maior poder aquisitivo, enquanto o restante da população fica alheio a esses avanços - a exemplo dos altos preços de planos de internet, meio crucial para a utilização do ensino a distância (EAD). Além disso, vê-se que a parcela da população com pleno acesso a essa tecnologia torna-se passiva ao “apartheid digital” criado, reforçando a visão de Bauman.
Ademais, cabe salientar que os impactos negativos da tecnologia na educação derivam, ainda, da baixa atuação de setores governamentais, no que concernem à criação de mecanismos que atenuem tais recorrências. Nesse aspecto, conforme o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Entretanto, no Brasil, observa-se justamente o contrário, uma vez que a escassez de ações e projetos sobre a tecnologia na educação, somados à ausência de políticas públicas eficientes nessa área - por exemplo, a redução de preços da internet, bem como maior facilidade de aquisição de produtos tecnológicos pela população mais carente - torna o país cada vez mais desigual. Consequentemente, observa-se que as escolas públicas - no tangente à qualidade de ensino- encontram-se muito defasadas em relação às escolas particulares, que podem usufruir do pleno acesso aos meios digitais como reforço educacional.
Portanto, medidas são necessárias para a resolução dessa problemática. Dessa forma, com o objetivo de trazer impactos positivos referentes ao uso da tecnologia na educação, bem como ampliar a democratização do acesso ao meio digital, o governo federal, por meio de verbas governamentais, deve criar programas de subsídios destinados às famílias carentes. Por conseguinte, elas poderam usufruir de melhores planos internet e, com isso, facilitar o acesso dos jovens a sites de pesquisa e às aulas EAD, reduzindo, assim, o abismo social entre alunos de escolas públicas e privadas.