O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 07/11/2021
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante ao papel da tecnologia na educação, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da defasagem da capacitação tecnológica nas escolas do país, mas também do forte tradicionalismo ainda presente nesses ambientes. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio é primordial destacar que a carência de investimentos em infraestrutura capaz de comportar as atividades educativas, que tenham a tecnologia como base nas escolas, deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa da atuação das autoridades, 58% dos professores de escolas públicas usam o celular em atividades em sala de aula, sendo que 51% deles recorrem ao uso da própria rede 3G e 4G para realizar estas atividades, esses dados divulgados pela TIC Educação em 2018 refletem o problema da infraestrutura de acesso às tecnologias na escola.
Além disso, a carência de novos métodos de ensino que fogem do modelo tradicional apresenta-se como outro desafio da problemática. De acordo com Zygmunt Bauman vivemos a era da modernidade líquida, na qual as relações sociais, econômicas e de produção são frágeis, fugazes e maleáveis, como os líquidos. Tal conceito é abordado e materializado no Brasil, haja vista que enquanto as esferas sociais se adaptam à tecnologia e evoluem com ela, a educação segue tradicionalista e priorizando o ensino em massa, o que contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da melhoria da educação através da tecnologia. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o aumento de percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar os investimentos em infraestrutura e o treinamento de professores, com o objetivo de capacitar esses locais e garantir profissionais aptos. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de Morus na sociedade brasileira.