O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 08/11/2021
A Quarta Revolução Industrial- também conhecida como 4.0- caracteriza-se pela imersão digital e pelo advento da inteligência artificial, que simplificou a disseminação do conhecimento ao redor do mundo. Todavia, esse fenômeno iniciado no século XXI não alcança todos os brasileiros, principalmente na área da educação. Com efeito, a desigualdade social e o sistema educacional ultrapassado impedem que a tecnologia transforme os métodos educacionais no Brasil.
Diante desse cenário, a disparidade socioeconômica é a principal causa do impasse. Nesse sentido, o geógrafo Milton Santos desenvolveu o conceito de globalização perversa, no qual os benefícios do mundo contemporâneo ficam restritos àqueles de maior poder aquisitivo, fazendo com que muitos cidadãos não possuam seus direitos básicos. Assim, não há como aprender, presencial ou remotamente, convivendo com a fome e com a falta de internet banda larga em regiões interioranas. Desse modo, é inviável usufruir dos benefícios da internet e das videoaulas enquanto o saneamento e a alimentação continuarem sendo privilégios e não direitos.
Denuncia-se, outrossim, a falta de autonomia dos estudantes no sistema educacional atual como impulsionador do problema. Sob essa ótica, o modelo educacional vigente é inspirado no formato da Revolução Francesa, de 1789, segundo o qual deveria haver dependência do estudante ao professor, que estaria em grau de superioridade intelectual. Ocorre que a Revolução 4.0 não é compatível com o modelo ultrapassado do Iluminismo e a passividade dos alunos impede que seja aproveitado o potencial da tecnologia. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Infere-se, portanto, que a tecnologia tem grande impacto na educação e é necessário melhorá-la. Dessa maneira, as escolas devem contribuir para a redução da desigualdade social, por meio de projetos pedagógicos, como oficinas e minicursos que ofereçam refeições diárias aos alunos e que crie um ambiente favorável para o estudo autonômo. Essa iniciativa poderia se chamar “Escola Digital” e teria a finalidade de possibilitar que meninos e meninas tenham acesso à tecnologia no ambiente escolar. Dessa forma, a Revolução 4.0 deixará de ser, em breve, uma utopia no Brasil.