O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 09/11/2021

A série “Black Mirror” exibe características da tecnologia e seus impactos na sociedade hodierna. Do meio artístico para a realidade, é possível notar que, no âmbito educacional, é indubitável que os recursos digitais tornam os alunos mais dinâmicos e engajados. Entretanto, no Brasil, esses efeitos positivos ainda estão distantes do país, em razão da omissão governamental e da limitação social, fazendo-se necessário um debate acerca do tema.

Nessa perspectiva, em primeiro plano, é lícito destacar a insuficiência estatal como fator que inibe os impactos da tecnologia no ensino. Sob esse viés, a Constituição afirma que o direito à educação é comum a todos. Contudo, em sua obra “Cidadania de Papel”, Gilberto Dimenstein aponta que a Carta Magna só existe, de fato, no papel. Dessa forma, percebe-se que os resultados da educação tecnológica são intangíveis em uma nação cujo tecido social é marcado por desigualdade social e por cidadãos de papel. Com isso, é nítido que há uma elitização capaz de impedir os avanços que a educação com tecnologia poderia proporcionar, e urge a necessidade de reverter tal quadro.

Em paralelo, é possível somar aos aspectos supracitados a mentalidade coletiva como empecilho para as consequências da educação tecnológica. Nesse quadrante, em sua música “O tempo não para”, Cazuza expôs a dificuldade que a sociedade encontra em situações de mudança, e o quanto isso gera intolerância com as evoluções. Dessa maneira, nota-se que, apesar das novas gerações serem altamente conectadas com o universo digital e seus atributos, as anteriores podem apresentar resistência aos novos métodos de ensino, o que promove adversidades no processo de consolidação dos impactos positivos da tecnologia na educação. Assim, é essencial superar esses paradigmas.

Portanto, são fundamentais ações para modificar o cenário contemporâneo. Logo, é dever da máquina governamental federal, aliada às estaduais e às municipais, proporcionar o ensino tecnológico de modo igualitário pelo país, por meio de verbas direcionadas aos institutos públicos, a fim de tornar a educação brasileira moderna, atualizada e justa, para que seja viável receber os impactos desse modelo na economia e na cultura do Brasil, além de permitir que a terra verde-amarela não tenha nenhum cidadão de papel em seu território. Ademais, é dever da comunidade adaptar-se às mudanças, por meio de debates e de conversas com especialistas que possam apresentar os benefícios dos impactos em questão, para que não haja resistência por parte da população mais velha. Quiçá, nessa via, o Brasil tem sua educação transformada para melhor, ao conseguir aproveitar os efeitos da tecnologia apresentados em “Black Mirror”.