O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 09/11/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à educação e tecnologia como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase, na prática, quando se observa o impacto da tecnologia na educação, dificultando, deste modo, a universalização desses direitos sociais tão importantes. Diante da falta de conhecimento por parte das pessoas que não desfrutam dos meios de informação virtual, cenário criador da desigualdade educacional, faz-se a imperiosa análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a desigualdade educacional, principalmente dos estudantes de áreas suburbanas, devido à falta de infraestrutura. De acordo com a pesquisa TIC Educação 2018, feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), 43% das escolas rurais disseram que não têm internet por falta de estrutura na região e 24% delas apontaram o alto custo da conexão. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação e o acesso à internet.

Ademais, é fundamental apontar o modelo arcaico das escolas brasileiras como impulsionadora da evasão escolar no país. Segundo Paulo Freire, patrono da educação no Brasil, “Ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si mediatizados pelo mundo”. Diante de tal exposto, torna-se imprescindível o uso das tecnologias nessa conjuntura, pois pode ser utilizada como mecanismo capaz de ampliar o conhecimento dos estudantes e ajudá-los a absorver conteúdos com a mediação do professor. Além disso, a organização escolar tende a ser desinteressante para o aluno e, em muitos desses casos, se a tecnologia fosse usada no contexto de aprendizado isso não aconteceria. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é fundamental que o Ministério da Educação, por intermédio de vídeos, materiais de apoio e tarefas, promovam a capacitação online dos professores a fim de prepará-los para inserir a tecnologia no ensino, tornando as aulas mais dinâmicas e a aprendizagem mais efetiva aos alunos. Acresce que, cabe ao Estado investir em tecnologia através de verbas públicas para tornar menos desigual a educação. Assim, se consolidará uma sociedade mais igualitária e justa, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.