O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 09/11/2021

Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que o despreparo do Estado e das escolas frente ao impacto da tecnologia na educação representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. A partir dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da inoperância estatal e do falho modelo de ensino atual, fatores que favorecem esse panorama.

Seguindo esse contexto, convém ressaltar a negligência governamental frente a essa questão. A exemplo disso, segundo uma matéria divulgada pela Globo, cerca de 22% das escolas ainda não possuem salas de informática. Desse modo, o Estado não apenas impossibilita a inserção construtiva dessas pessoas no meio digital, com conhecimento sobre softwares de construção de imagem e de textos, mas também dificulta a inserção no mercado de trabalho qualificado. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do que ele denomina por “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre o seu dever de assegurar aos cidadãos direitos indispensáveis, como a educação. Esses aspectos, infelizmente, são notórios no país.

Ademais, o falho sistema educacional brasileiro atua como impulsionador desse quadro deletério. Nesse viés, o rapper “Gabriel, o Pensador”, em “Estudo Errado”, diz “Estudei toda a lição, não errei nenhma questão, não aprendi nada de bom, mas tirei dez”. Dessa forma, explicita-se que caso as escolas não promovam os alunos para a plena consciência do contexto técnico-científico-informacional vigente - modernizando o ensino pela inserção produtiva da tecnologia contemporânea às aulas, como celulares e computadores - eles serão incapazes de contribuir para o desenvolvimento do coletivo. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater essas adversidades. Para isso, o Ministério da Educação (MEC) - órgão responsável pelas escolas e pelo ensino -, por meio do capital da União, deve expandir as salas de informática para todas as escolas brasileiras, além de inserir aulas de informática como obrigatórias na grade escolar, a fim de modernizar o ensino e facilitar a aprendizagem. Assim, será concretizada uma sociedade que conta com um modelo de educação contemporâneo e produtivo, eficiente na contribuição para o pleno desenvolvimento da sociedade, tendo em vista que o Estado cumpre corretamente o “Contrato Social”, tal como afirma John Locke.