O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 11/11/2021
Desde a Antiguidade, em civilizações como a Grécia, a preocupação e o interesse pelo saber já estava presente. Contudo, o processo educacional evolui proporcionalmente à sociedade, por isso a presença da tecnologia no ensino é inevitável. No entanto, há algumas implicações decorrentes dessa inovação como o agravamento das desigualdades, bem como os efeitos nocivos do abuso cibernético durante o desenvolvimento intelectual.
Nesse contexto, é possível notar como as aulas remotas ou a introdução da tecnologia na educação pode ser um ato excludente, visto que nem todos os estudantes têm acesso à internet ou aparelhos eletrônicos. A isso, pode ser relacionado o conceito de Violência simbólica, de Pierre Bordieu, o qual infere que o ensino deve ser adequado ao capital cultural do aluno e, caso isso não aconteça, pode ser considerado violência, já que não há democratização desses artigos e a oportunidade se restringe aos mais favorecidos. Dessa forma, a exclusão se torna mais notável e abre espaço para discriminação, bullying e, principalmente, para a restrição à educação, que reafirma o ciclo da desigualdade, já que o caminho mais certeiro para a ascenção social é o estudo e essa perspectiva não deve ser anulada daqueles que são menos beneficiados.
Além disso, a exposição excessiva de crianças e adolescentes às telas é, inquestionavelmente, nociva, como afirmado na pesquisa da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA), a qual infere que as possíveis consequências desse uso demasiado são os problemas de convívio social, ansiedade, hiperatividade e, contraditoriamente, dificuldades no aprendizado, no processo da linguagem e da criatividade. Assim, o estudante não só é exposto no ambiente escolar, mas também em sua casa, na maior parte das vezes, o que pode desencadear os impasses anteriormente mencionados e ao invés de auxiliar na aprendizagem, pode prejudicar. Desse modo, a escola, a qual deveria ser o lugar primordial de conhecimento e desenvolvimento cognitivo e social, se torna uma fonte adicional de navegação.
Portanto, para que essa situação seja amenizada, é necessário que o Ministério da Educação promulgue o projeto “Desenvolvimento cybercognitivo”, o qual consistirá em duas medidas principais. A primeira delas será a democratização do acesso à tecnologia, quando esta for utilizada como meio de ensino, para que não haja discrepância de oportunidade de aprendizado entre os alunos. Ademais, deve-se minimizar a utilização de eletrônicos, de forma que a prioridade seja a interação social e o desenvolvimento. Assim, a sociedade não irá ignorar os benefícios proporcionados pela inovação, mas saberá usufruí-la da melhor forma, isto é, aquela que antepõe a evolução, a saúde e a educação.