O impacto da tecnologia na educação

Enviada em 15/11/2021

Na década de 20, foi disseminado no mundo o meio de comunicação que até hoje logra reputação de ser o mais utilizado pelas massas. Fala-se do rádio, um aparelho comunicativo que, ao gerar grande comoção mundial, dividiu opiniões: afinal, era bom porque tornava mais fácil o alcance da informação, ou ruim porque, fascinando as pessoas em suas casas, afastava-as de um convívio legítimo? Nesse segmento, a Internet, em um impasse semelhante ao do rádio, apoderou-se de vários âmbitos da vida cotidiana atual, em especial o da educação. Assim, tornou-se também evidente na esfera educativa que a internet possui uma vocação dupla, visto que, à medida que democratiza o conhecimento, também confunde pelo excesso os estudantes que dela fazem uso.

De início, é preciso apontar o enorme ganho advindo do uso de tecnologias nas escolas. Para isso, cabe ressaltar que, antes da presença da Internet, eram muito comuns problemas relativos ao acesso burocrático a enciclopédias em bibliotecas públicas, ou mesmo protestos sobre o alto preço de livros universitários, imbróglios que deixaram de ser regulares devido à alta divulgação de material didático nas redes. Nesse sentido, é pertinente referenciar a jornalista brasileira Madeleine Lascko, que, sendo grande intusiasta da tecnologia, acredita que seja possível uma presença digital predominantemente benéfica, haja vista que a Internet também educa sobre o seu próprio funcionamento.

Contudo, é ainda necessário salientar que, não sabendo a lógica sob a qual opera a Internet, os estudantes terminam por consumir mais informação do que o necessário,  terminando confundidos e distraídos. Desse modo, é pontual o historiador Yuval Harari ao afirmar que “Num mundo inundado por informações irrelevantes, clareza é poder”, pois, com efeito, se sobressaem na Internet os estudantes  que, mais do que consumir, selecionam e interpretam a informação a que têm acesso. Logo, devem ser igualmente apreciados tanto as redes sociais como os sites de pesquisa comuns, uma vez que os dois podem gerar no estudante a errônea sensação de posse do conhecimento só por tê-lo demais.

Tendo isso em vista, é consenso que a Internet deve ser direcionada para o seu melhor uso nas escolas. Para tanto, é necessário que haja uma completa modificação da estrutura básica do sistema escolar, uma vez que as redes não constituem simples ferramentas de pesquisa. Assim, será preciso que o Ministério da Educação, em parceria com institutos de educação e tecnologia, empreendam em todos as escolas um novo modelo de ensino, baseado na autoaprendizagem através do uso Internet. Nesse modelo, os alunos aprenderão a aprender a sós, tendo no professor um mediador de atividades e na escola, um lugar de encontro com amigos e debate de ideias. Dessa maneira, será possível uma normalização da presença da Internet nas escolas, assim como ocorreu com o rádio nas casas.