O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 16/11/2021
Nos períodos anteriores ao século XV, o acesso à um simples livro se fazia restringido à pequenas elites, como os nobres e os clérigos. A invenção da imprensa, por Gutenberg, acabaria por revolucionar a literatura e o acesso ao conhecimento até então, feito esse de considerável repercussão política à época. De forma análoga, o crescimento do uso de meios tecnológicos na educação representa considerável avanço no longo prazo, tornando o ensino mais democrático e atento às dinâmicas da modernidade. Todavia, a difusão das tecnologias de forma democrática ainda se faz por uma problemática de difícil solução, fruto das disparidades regionais e do acesso à renda.
Em primeiro lugar, o avanço da aplicação massiva da tecnologia do ensino é positivo aos alunos, facilitando sua vida escolar e tornando-a mais dinâmica. De fato, estudos recentes conduzidos pela renomada universidade de Oxford, em 2015, apontam para um avanço de até 40% nas notas médias de crianças e jovens adolescentes. Notar-se-á, portanto, que a adequação do ensino às modernidades da tecnologia pode se tornar ferramenta útil, que se devidamente associada com políticas públicas de inclusão universal efetivas, acabaria por gerar considerável aumento do entedimento do conteúdo escolar e, por conseguinte, da qualidade do acesso educacional no país.
No entanto, a difusão da tecnologia de forma massiva encontra dificuldades diante da realidade socioeconômica do país. Dados do censo escolar, conduzido pelo IBGE em 2017, apontam que 35% das escolas não possuem nem sequer eletricidade. Ao se mensurar infraestruturas avançadas, como laboratórios e internet de banda larga, o número é maior ( chegando a atingir 55%). Isto posto, não é factível afirmar que a tecnologia se faz de uma solução de curto prazo, uma vez que seria inviabilizada por precariedades já conhecidas e cuja negligência governamental tem perpetuado o cenário de degradação e segregação regional.
Ante o exposto, é factível afirmar que a tecnologia, assim como fez Gutenberg na Alemanha, pode revolucionar o acesso ao conhecimento por meio da educação, desde que superadas as disparidades socioeconômicas regionais. Isto posto, urge que o governo, por meio de reforços orçamentários e, em parceria com os entes subnacionais, implemente um plano nacional de reconstrução da infraestrutura escolar, de forma a viabilizar uma escola moderna e acessível. A efetivação do acesso massivo à educação pode se dar por meio da tecnologia, mas para isso, problemas de cunho mais básico devem ser superados.