O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 18/11/2021
A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988, confere inúmeros direitos sociais aos brasileiros, entre eles, à educação. No entanto, quando observado o impacto da tecnologia na educação, à partir da “Revolução Tecnológica” que tem transformado nossa sociedade, essa premissa não é verificada, uma vez que as instituições de ensino não possuem aparelhamento que conecte os alunos à essa nova realidade social. Com isso, em virtude da negligência governamental e da falta de investimentos públicos, um cenário adverso se instala, sendo imperativo que esse seja minorado.
Dessa forma, em primeira análise, a negligência governamental é um obstáculo na resolução do problema. Sobre isso, Aristóteles diz, em seu livro “Ética à Nicômaco”, que a política existe para garantir a felicidade dos cidadãos. Entretanto, é fácil perceber que essa suposição de Aristóteles não se consuma na hodiernidade, uma vez que o poder público não desempenha devidamente o seu papel, ao manter um processo de ensino-aprendizagem arcaico, reverberando de modo negativo na geração de conhecimento que ora ocorre de forma acelerada.
Além disso, a falta de investimentos públicos é causa secundária do problema. Segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias anual do governo federal, o valor disponível para investimentos públicos em 2021 é de 1,5 bilhão de reais, sendo, inclusive, maior do que dos anos anteriores. Nessa lógica, é possível notar que o grande entrave do Brasil em relação às receitas públicas não está em sua disposição, mas sim em sua distribuição, pois em matéria de investimentos tecnológicos na educação, há um evidente descaso que se comprova pela ausência de recursos da área de tecnologia da informação nas escolas públicas de todo o território nacional. Desse modo, é possível contemplar as consequências que esse descaso traz para a educação e para o desenvolvimento do país.
Portanto, o Poder Executivo que, juntamente com o Legislativo e o Judiciário, compõem o Estado e assegura a implementação e execução de leis e garantias sociais, deve criar um conjunto de ações, por meio de políticas públicas, com o fito de atualizar o processo de ensino-aprendizagem, considerando as mudanças tecnológicas a que fomos submetidos. Tais ações devem conter programas de capacitação de professores e planejamento das abordagens tecnológicas, em conjunto com os governos estaduais e municipais. Em paralelo, compete ao Poder Público, aparelhar por meio de verbas governamentais, as instituições de ensino com as tecnologias necessárias para o desenvolvimento do processo pedagógico, de acordo com a demanda local, a fim de que todos tenham um acesso mínimo, sem excessão. Somente assim, os preceitos da Carta Magna estarão mais próximos da realidade.