O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 19/11/2021
No decorrer da pandemia do novo coronavírus, foi adotado o isolamento social pelos países, que objetivaram reduzir a contaminação. Nessa conjuntura, expôs-se, no Brasil, o impacto da tecnologia na educação, uma vez que apenas os estudantes com acesso à internet e a dispositivos eletrônicos puderam assistir às aulas remotamente. Entretanto, apesar de benéfica, nota-se a dificuldade da implementação da tecnologia no ensino brasileiro, fruto de fraquezas comunicativas e financeiras.
Dessa forma, em primeira análise, cabe apontar a falta de debate como agravadora do impasse. Nesse sentido, o filósofo alemão Habermas defendeu que a linguagem seria uma verdadeira forma de ação, o que implica dizer que, para agir sobre questões como a do aproveitamento dos benefícios da tecnologia na educação, faz-se vantajoso debatê-las amplamente. Contudo, a escassez da veiculação de dados e reportagens sobre o assunto na mídia nacional falha em estimular a ocorrência de discussões que visem encontrar meios para atuar positivamente a favor da difusão das tecnologias no ensino escolar. Assim, a falta de intervenções propicia a manutenção desse quadro.
Ademais, percebe-se que a falta de investimentos contribui para a irresolução do problema no Brasil. Nessa perspectiva, dados de 2019 da Fundação Getúlio Vargas indicam que, somando os setores público e privado, a taxa de investimentos no país está no menor nível dos últimos cinquenta anos. Por conseguinte, infere-se que a carência de verbas dificulta a tomada de ações, por parte do governo, no sentido de estimular a implementação das tecnologias, pois, para garantir acesso à internet de qualidade às escolas, cursos de informática básica aos professores, aquisição de aparelhos eletrônicos etc., seria necessário investimento massivo. Dessa maneira, com a fraqueza orçamentária, o cenário de subaproveitamento da tecnologia na educação persiste no país.
Portanto, é imprescindível combater esses obstáculos. Por isso, cabe a organizações não governamentais, em conjunto com a mídia, coletar e divulgar, nos meios de comunicação em massa, como a televisão e as redes sociais, dados acerca do impacto positivo da tecnologia na educação, por meio de parcerias com institutos de pesquisa. Tal ação terá o fito de alertar a população quanto à importância social desse tema, de modo que a subsequente ampliação dos debates pressione o governo brasileiro por maior direcionamento de verbas à educação. Consequentemente, será possível democratizar o acesso à tecnologia pelos estudantes, diferentemente do que se verificou durante o lockdown no Brasil.