O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 03/11/2023
Em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor português José Saramago descreve uma cidade fictícia na qual, paulatinamente, as pessoas vão ficando cegas. Na trama, o autor usa dessa alegoria para criticar a falta de cooperação no mundo contemporâneo, em que os indivíduos se preocupam cada vez menos com o bem-estar coletivo. Ao transpor a ficção e observar a atual conjuntura brasileira, percebe-se que a obra exemplifica a realidade vivenciada no país, uma vez que a tecnologia na educação representa um problema que não recebe devida atenção. Nesse contexto, deve analisar como a negligência estatal e desigualdade social impulsionam tal problemática, com intuito de solucioná-la.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a negligência estatal contribui para a disseminação do impacto da tecnologia na educação, proveniente da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar social. No entanto, as autoridades trabalham com princípios individualistas, pois não investem em ensino de qualidade para os jovens mesmo com as tecnologias a serem utilizadas como um benefício, consequentemente, isso afeta o bem-estar coletivo.
Ademais, é imperativo ressaltar a desigualdade social como promotora do impacto da tecnologia na educação. Sob essa perspectiva, a Carta Magna prevê que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, nota-se no corpo social o seu oposto, pois as tecnologias geram os seus excluídos, principalmente aquelas pessoas de baixa renda. Tudo isso retarda a resolução desse empecilho, já que a desigualdade social contribui para esse quadro deletério.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade. Dessarte, com intuito de mitigar impacto da tecnologia na educação, necessita-se urgentemente que o Tribunal de Contas da União, direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em acesso igualitário da tecnologia, através de políticas públicas nas escolas. Assim, sob essa visão de Saramago, pode-se diminuir a cegueira moral em questão.