O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 03/11/2021

Segundo o filósofo Imannuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Entretanto, apesar do papel crucial do aprendizado para o desenvolvimento dos seres, problemáticas como a discrepância social afetam essa transformação. Dessa maneira, é válido analisar o impacto das desigualdades sociais nas disparidades escolares, as quais, a título de exemplo, é observada na diferença exacerbada entre a qualidade do ensino dos colégios públicos em contrapartida à educação privada.

Em primeiro plano, é crucial discutir as motivações para essa dessemelhança, que gera efeitos negativos para o desenvolvimento cognitivo dos afetados. Sobre isso, pode-se observar o agravamento da situação de desigualdade com o cenário caótico de coronavírus no país, o qual, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, mais de 600 mil alunos das redes municipal e estadual do país deixaram a escola nesse período. Além disso, a desigualdade no acesso à internet, ferramenta de extrema importância para o acesso às aulas on-line, e o despreparo dos docentes das redes públicas de ensino são situações que elucidam o quadro caótico de assimetria do país. Logo, percebe-se a subversa atuação do direito à educação, garantido pela Constituição Federal de 1988.

Outrossim, graves são as consequências no aprendizado causadas pela circunstância de discordância social. Nesse contexto, além do prejuízo para o aprendizado de matérias básicas, como português e matemática, a ausência do papel escolar para a formação do senso crítico, da autonomia do aluno, da criatividade e da responsabilidade social também é observada, pois as instituições educacionais são protagonistas no desenvolvimento dessas características. Sendo assim, como o educador brasileiro Paulo Freire pontua, o qual diz que a educação é imprescindível para os indivíduos serem capazes de transformar o mundo, esses sujeitos, afetados por uma instrução inadequada, não terão a oportunidade de mudar a situação precária em que estão inseridos.

Portanto, medidas são necessárias para transformar o quadro caótico de desigualdade social, que afeta gravemente na educação dessas pessoas. Para isso, cabe ao Ministério da Educação a criação de uma campanha que distribua pontos de acesso à internet em locais mais afastados e garanta a presença de todos os alunos nas escolas. Essa campanha deve ser feita a partir da contratação de profissionais para localizar essas regiões mais carentes, com o intuito de priorizar o acesso aos meios digitais. Também, aos professores, é crucial acompanhar o quadro de evasão escolar, com o objetivo de garantir a presença desses discentes nas aulas e promover aulas dinâmicas, para possibilitar o conhecimento completo desses estudantes. Só assim o direito à educação será, de fato, aplicado.