O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 03/11/2021

No livro “O diário de Anne Frank”, escrito por uma judia em período de Segunda Guerra Mundial, é relatado como, no cenário de perseguição à raça judaica, a autora é impedida de frequentar o colégio, o que explicita a segregação e a iniquidade em ambientes escolares. Mediante ao exposto, hodiernamente, ao observar as seletividades econômica e espacial em instituições de ensino, evidencia-se um quadro segregacionista análogo ao de Anne Frank, fator que faz emergir os impactos das desigualdades sociais em escolas. Por isso, graças à discrepância instrucional e, consequentemente, à inibição do desenvolvimento individual, a conjectura assola a coletividade.

Em primeiro plano, o desbalanço educacional corrobora a problemática. Nesse sentido, na obra literária “A menina que roubava livros”, de autoria de Markus Zusak, Liesel, cidadã alemã, vê-se em frente ao desafio do letramento tardio, privilégio antes inconcebível em sua condição socioeconômica, o que faz com que, por conta do contraste instrucional, a protagonista fosse inferiorizada no ambiente escolar. Dessa forma, a partir do momento em que a segregação em instituições de ensino acentua a disparidade intelectiva, a sociedade entra em um ciclo vicioso de exclusão e inferiorização, quadro que torna as classes menos abastadas ainda mais distantes do aprendizado formal. Logo, devido ao agravamento do desnível cognitivo, as desigualdades escolares são tidas como agentes de autopromoção, o que retroalimenta o cenário de seletividade.

Por conseguinte, aqueles excluídos têm alcance ao desenvolvimento próprio reduzido. Nesse viés, no filme “O menino que descobriu o vento”, distribuído pela Netflix, William, morador de um vilarejo africano, não obtém condições de usufruir do ensino formal, o que dificulta seu aprimoramento pessoal e sua ascensão social. Dessa maneira, no instante em que as desigualdades escolares impõem às classes carentes posições subalternas na coletividade, a segregação na educação evidencia-se como um instrumento para a manutenção da hierarquia, fator que beneficia a elite e nega a subversão da pirâmide social. Assim, graças a impasses advindos do quadro, são necessárias medidas interventivas.

Portanto, depreende-se que a questão da disparidade em ambientes de ensino é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Estado, ao lançar mão de sensos demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, deve localizar e, por meio da construção de centros de educação comuns à população, fornecer a infraestrutura necessária para democratizar o aprendizado, a fim de mitigar as desigualdades educacionais, fazer com que as condições espaciais ou econômicas passem a não ser mais uma barreira social e, desse modo, erradicar a segregação análoga ao período da Segunda Guerra Mundial, como outrora relatara Anne Frank.