O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 03/11/2021
O filme da Netflix “O menino que descobriu o vento” introduz uma temática sobre conhecimento e sua importância no cotidiano, abordando, também, os impactos que a desigualdade gera no acesso ao ensino. Fora da ficção, é notório que a obra possui, infelizmente, verossimilhança no que tange a uma questão de altíssima relevância na sociedade brasileira atual: o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares. Diante desse cenário, é imperativo que a inércia governamental e a não adesão midiática são fatores que dão manutenção para a problemática citada.
Nesse contexto, fica claro que o Governo Federal como maior órgão do país, tem a função de promover uma mudança nessa realidade, conquanto ele não a faz. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado promover um democrático acesso a uma educação de qualidade no país, porém, fora desse pressuposto legal, não é assim que ocorre. Sob essa ótica, segundo uma pesquisa da revista Exame, além de conter elevados índices de evasão escolar ou defeitos infraestruturais, as escolas públicas, por intermédio governamental, andam sofrendo uma rarefação em âmbito nacional. Em suma, evidencia-se que a falta de investimentos e engajamento estatal, não somente piora a educação brasileira, como também diminui as chances de mitigar esse problema, trazendo, portanto, prejuízos para a nação.
Ademais, é necessário compreender que as mídias tem um papel fundamental na luta contra a desigualdade social. Nesse sentido, Wilson Churchill, ex-primeiro-ministro da Inglaterra, salientou que não existe opinião pública, apenas existem opiniões publicadas. Dessa maneira, como apresentado por Churchill, a divulgação de opiniões e fatos é de suma importância para a criação de um comportamento homogêneo na luta contra diversas atrocidades sociais, haja vista que ao se divulgar a triste realidade educacional brasileira e convidar, desse modo, a população à mudar tal realidade, haveria muito mais chance de resolver a desigualdade educacional. Em síntese, as mídias podem engajar a população para um novo modo de agir, o que, por consequência, pode brandar o problema.
Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. Logo, a fim de diminuir o impacto da disparidade social nas desigualdades escolares, urge ao Ministério da Educação promover programas sociais que visem ampliar o acesso à educação no brasil, por meio do aumento do número de escolas públicas em zonas de periferias ou aonde faltar melhores condições educacionais. Isso pode ocorrer, por exemplo, com a ampliação da verba orçamentária fornecida pela União ao ministério citado, tornando possível, dessa forma, uma melhoria da infraestrutura socioeducacional. Por fim, espera-se, ainda, que casos como o de “O menino que descobriu o vento” deixem de existir no país.