O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 03/11/2021
A nova Base Nacional Curricular, resultado da gestão Temer, entra em vigor neste ano e pretende reduzir a desigualdade escolar pela valorização de habilidades específicas: acadêmicas versus práticas. Contudo, o contexto educacional é retrato, em parte, da realidade macroeconômica do País. Logo, faz-se necessário medidas amplas a fim de que as propostas do Ministério da Educação alcancem as principais causas da desigualdade que são o acesso ao ensino e as motivações dos professores.
Primeiramente, convém enfatizar que o acesso ao sistema educacional é a primeira e essencial origem da diferenciação socioescolar. Para além do critério público/privado, a localização da escola, a idade de ingresso e os recursos paradidáticos a que cada aluno terá “direito” são muito diferentes entre si e ilustram como a diferença econômica impacta a raiz do problema. De maneira análoga, pode-se buscar na História a exclusão de gênero que se aplicava à diferenciação de currículos para mulheres e homens na primeira metade do século XX por considerar inadequado o aprendizado de culinária por meninos ou de esportes por meninas. Dessa forma, vê-se que é inaceitável que não haja políticas públicas para o nivelamento do acesso ao ensino sob pena de se jogar no lixo o tempo de tantas famílias que confiam seus filhos aos colégios.
Outrossim, a motivação do professor, como agente de transformação social, precisa ser ajustada por ser um potencial agravante ou atenuante do cenário. De acordo com Maria Montessori, revolucionária por seu método de ensino, o professor deve mediar o desenvolvimento da independência e da unicidade de cada aluno. Contudo, fatores como baixos salários, sobrecarga de salário, excesso de burocracia escolar, dupla ou tripla jornadas acabam por levar esse necessário idealismo para o último plano. Portanto, é inadmissível que os mestres não sejam valorizados em um Brasil em que se pretende crescer no critério igualdade de oportunidades.
Fica evidente que o acesso ao ensino e a motivação do corpo doscente são pilares centrais do sistema de educação desigual e refletem na e são reflexos da desigualdade social. Portanto, o Ministério da Educação desenvolverá um Fórum Público para ampliação da Base Nacional Curricular a fim de abranger aspectos do desenvolvimento econômico e social. Para uma maior efetividade dessa ação, o envio de sugestões ao Plano Amplo Curricular deverá ser aberto a todos os brasileiros e a participação estimulada por incentivos financeiros como uma “Bolsa de Opinião em Cidadania”. Ademais, todos os segmentos da sociedade devem ser mapeados e buscados proativamente pela equipe do Governo envolvida. Desse modo, o Planejamento Curricular irá além do papel e impactará, de fato, a realidade de milhões de alunos e alunas.