O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 04/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a desigualdade na educação apresenta barreiras as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência do Estado, quanto da omissão por parte da sociedade. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a desigualdade na educação deriva da negligência do Estado, no que concerne à criação de mecanismos que visem reparar as expressivas diferenças entre a educação pública e privada no país. Segundo matéria da revista Exame, a taxa de reprovação e abandono escolar dos alunos do ensino básico no Brasil, é dez vezes maior nas escolas públicas do que na rede privada. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia sem cumprirem sua função social com eficácia. Diante disso, é possível perceber a origem de tal desigualdade que assola prioritariamente a população menos favorecida. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a omissão da sociedade como promotor do problema. De acordo com a filósafa francesa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação pode ser facilmente aplicada a desigualdade educacional brasileira, já que mais escandalosa do que a ocorrência problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Partindo desse pressuposto, vê-se que parte da sociedade acaba reforçando a permanência da desigualdade educacional no país, seja por desleixo, seja através de ações afirmativas contrárias a conquistas sociais como as cotas, seja até mesmo pela relutância de educadores em ministrar aulas em regiões periféricas. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, ja que a omissão da sociedade contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de politicas que visem à construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação, garanta a presença de professores qualificados nas escolas das regiões menos favorecidas, por meio da concessão de gratificação salárial para aqueles que optarem por atuar em tais regiões, a fim de evitar a concentração dos professores mais qualificados, em escolas privadas que costumam aferecer melhores condições de trabalho. Dessa forma, o Brasil poderia superar a desigualdade na educação.