O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 04/11/2021
O filósofo Raimundo de Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional brasileira, mas também para o país que, atualmente, enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento, como o impacto das desigualdades sociais que reflete nas escolas. Esse panorama ainda vigente é atestado decorrente de uma vasta negligência governamental agregada a uma banalização social.
A princípio, ressalta-se que o descaso do governo age em contramão com os ideais do filósofo Thomas Hobbes, visto que, segundo ele, o Estado foi criado para eliminar as desigualdades, promover a coesão social e assegurar os direitos humanos. Todavia, de acordo com pesquisas do Inep, em 2018, a taxa de abandono e reprovação dos alunos em escolas públicas foi, em todas as séries, muito maior do que nas particulares. Assim, a diferença social por ser frequente nesses colégios influencia o estudante a trabalhar e estudar, gerando a exaustão e demais reveses.
Outro fator é a banalização social, uma vez que, de acordo com a socióloga Hannah Arendt, à medida em que as pessoas param de buscar soluções para um empecilho e se acomodam, ele vira um tabu. Sob esse viés, a temática em questão ao ser ignorada influencia diretamente nos moldes futurísticos populacionais, isso porque ao aumentar as taxas de abandono e falta de procura nas instituições públicas, o número de escolarizados cairá, gerando assim, num maior desemprego, baixos salários e intensificação nas diferenças entre classes.
Portanto, é de indubitável importância, que o Governo Federal, numa ação conjunta com a Câmara dos Deputados, Ministérios, escolas e população, promova políticas públicas eficazes, através da implementação de leis, as quais garantam uma maior infraestrutura nas escolas públicas, um horário viavél para os que trabalham e estudam, num maior acesso ao ensino de qualidade e na disponibilização de auxílios e livros, visando a realização dos ideais de Hobbes, da bandeira nacional, na queda das taxas de abandono/reprovação, na diminuição do preconceito e desigualdades.