O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 04/11/2021

Com a adoção o ensino remoto, devido às medidas preventivas do Covid-19, se evidenciou problemas que ampliaram as desigualdades escolares devido ao desnível das classes sociais, como a obtenção de computadores, conexão de internet com qualidade e ainda um ambiente adequado para estudar em casa. Nesse sentido, cresceu-se o debate a cerca dos impactos das desigualdades sociais nas desigualdades de ensino. Entre os fatores relacionados a esse infortúnio, destaca-se a redução da mobilidade social e a retração da economia do país.

Sobre o assunto, é válido destacar o atual contexto de terceira revolução técnico, científica e informacional, a qual resulta em uma demanda de profissionais para o mercado de trabalho cada vez mais capacitados, o que exige uma educação de melhor qualidade. Sob essa ótica, o desnível verificado na qualidade de ensino público e privado do país funciona como um freio para a mobilidade social, já que o atraso do ensino público não possibilita uma competição justa entre ambos, fazendo com que boa parte dos estudantes da rede pública se tornem trabalhadores que não atende as demandas do mercado, por isso, ficam limitados a atividades operacionais, de menor complexidade e com remuneração inferior. Assim, o efeito de não investimento em educação é um fator essencial de baixa mobilidade social e desigualdade de riqueza e de oportunidades entre as classes.

Além disso, as desigualdades sociais no âmbito da educação resulta em um baixo desenvolvimento econômico do país. Desse modo, torna-se válido trazer o exemplo do Japão no período pós Segunda Guerra Mundial, o qual se encontrava em uma grave crise econômica e estrutural, contudo, utilizou como fonte de reconstrução o investimento na educação, o que resultou na potência do Japão atual. Diante desse cenário, percebe-se o nível de escolaridade da população refletindo em fatores como pesquisa científica e inovação, que, por sua vez, garantem indústrias e processos mais eficientes e automatizados, e um consequente desenvolvimento econômico do país mais eficiente.

Tornam-se evidentes, portanto, os impactos relacionados das desigualdades sociais nas desigualdades escolares. Logo, concerne, ao Estado um maior investimento na educação de base da rede pública de ensino, por meio de uma maior remuneração dos professores e melhor estruturação das escolas, a fim de possibilitar uma competição mais justa entre que os alunos de menor renda social, que frequentam a rede pública, e os alunos mais abastados das escolas particulares. Ademais, cabe ao Ministério da Educação em parceria com instituições privadas o financiamento de pesquisas científicas, por meio do direcionamento direto da verba dos impostos dessas empresas as pesquisas, no intuito de produzir inovação e processos mais eficientes capazes de garantir um maior avanço econômico.