O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 04/11/2021

Immanuel Kant, grande filósofo moderno, afirmava em sua fala que o ser humano não é nada mais do que a educação faz dele. Diante disso, convém depreender o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares, problema este que compromete a plena formação de crianças e jovens no país e que, fatidicamente, perdura devido à inércia social e a falta de visibilidade do tema.

Em primeiro lugar, é lícito evidenciar a falta de participação popular como um agravante da problemática. Nesse viés, segundo o literato português José Saramago, no romance “Ensaio Sobre a Cegueira”, o comportamento negligente por parte da população em não se mobilizar para participar ativamente das lutas de classe e exigir do Estado subsídios para implementação de espaços escolares inclusivos, é definido como “Eclipse de Consciência”, ou seja, a ausência de sensibilidade dos indivíduos frente as mazelas sociais enfrentadas pelo próximo, nesse caso a reflexão das desigualdades sociais no âmbito escolar. Por conseguinte considerável parcela da população fomenta a invisibilização do imbróglio em evidência e a manutenção dessa situação maléfica para a sociedade.

Outrossim, é imperativo destacar a negligência frente a abordagem do tema como um dos fatores que validam a sua persistência. Nesse contexto, segundo o conceito de “Ação Comunicativa”, definido pelo filósofo Jurgen Habermas, para que as pessoas tenham a capacidade de defender os seus interesses e demonstrar o que acham de melhor para a comunidade, elas precisam obter ampla informação prévia sobre o assunto. Assim, a carência de espaço midiático voltado para o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares, vigora como empecilho para a solução do óbice, pois compromete a tomada de ação da população, haja vista que esta só tomará partido para a solução da problemática mediante ao conhecimento detalhado do infortúnio como causas e caminhos para a erradicação. Portanto, é necessário que se fixem ações a fim de diminuir a falta de visibilidade do tema.

Diante disso, faz-se necessária a ação do Estado destinando verba para que as instituições de ensino possam ofertar um ambiente inclusivo e tolerante pautado na exposição das multiplicidades sociais existentes, através da abordagem do tema nas salas de aula, palestras e passeios que permitam aos jovens e crianças conhecer os diferentes costumes culturais oriundos das mais diversas classes sociais. Assim, além de inclusivo o ambiente escolar será capaz de formar cidadãos mais tolerantes e adeptos as causas sociais. Paralelo a isso, é necessário que o Estado atue na criação de peças publicitárias, veiculadas nas mídias sociais, abordando o tema e conscientizando a população de que a sua participação exerce papel fundamental para a solução dos problemas sociais. Feito isso, o Brasil poderá reduzir o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares.