O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 04/11/2021

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e o meio social.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa as desigualdades encontradas no ambiente escolar. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presente na sociedade sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, o país tem ocupado o “top five” da desigualdade escolar, segundo a pesquisa Mapa da Aprendizagem, que também aponta a diferença de mais de 100 pontos entre os estudantes de nível socioeconômico alto em relação ao baixo. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realizade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal eficaz.

Outrossim, é igualmente preciso apontar o meio social como fator que contribui para a manutenção das desigualdades educacionais no Brasil. Posto isso, de acordo com a Revista Brasileira de Educação Básica, as raízes históricas, sociais e culturais brasileiras marcam as divisões étnico-raciais que perduram até os dias atuais. Diante de tal exposto, compreende-se que o desinteresse pela educação, a necessidade de inserção precoce no mercado de trabalho e o arrebatamento pelos criminosos, afastam da escola crianças e adolescentes moradoras das milhares de periferias. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares. Dessarte, a fim de proporcionar uma formação educacional de qualidade, é preciso que o Ministério da Educação, por intermédio das secretarias estaduais e municipais, invista na formação pedagógica dos professores, adeque os laboratórios para as atividades práticas e torne o conteúdo mais atraente às vivências dos estudantes. Paralelamente, é imperativo que as escolas sejam adaptadas ao ensino integral para os alunos do ensino fundamental e médio, o que representa o fornecimento de alimentação adequada e vestuário aos alunos mais carentes. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratdos por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.