O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 04/11/2021

No Brasil, é mais do que evidente que quando se fala de desigualdade social, engloba-se a questão escolar, com a educação sendo culturalmente o principal caminho legal para realização profissional e financeira no país. Não obstante, ao mesmo tempo que instituições de ensino abrem portas para jovens e adultos alcançarem algum tipo de profissionalização, elas também sofrem com crises siocioeconômicas e acabam refletindo suas consequências em quem está sujeito a elas. Quebrar esse ciclo vicioso e garantir educação de qualidade para todos é um dever do Estado, como previsto no artigo duzentos e cinco da constituição brasileira, por isso, se trata de uma tarefa complexa, mas longe de se impossível.

No obra cinematográfica inglesa “O Menino que Descobriu o Vento” vemos a história de um garoto chamado William, que sofre com a pobreza e seca do Malawi, seu país de origem, o jovem possui uma imensa paixão por estudar, mas por conta de dificuldades financeiras de sua família, que se encontra impossibilitada de pagar a mensalidade da escola, ele se vê obrigado a desistir do seus estudos em um determinado momento, principalmente por seu pai, que o força a ajudar no serviço da lavoura para tentar garantir algum sustento à família.

Voltando ao cenário brasileiro, é mais do que comum que surjam em noticiários manchetes sendo estampadas por nomes de jovens que foram aprovados com sucesso em diversas faculdades federais, no entanto, esse sentimento de ‘‘orgulho’’ por esses jovens, se dá pelo fato de esse tipo de conquista estar sendo cada vez mais dificultada devido ao problema da desigualdade social, fazendo com que menos jovens tenham acesso à educação de qualidade, logo diminuindo o número chances de aprovação. No filme britânico, o jovem William mostra que com sua determinação para estudar, ele adquiriu conhecimentos que ajudariam sua família com a crise hídrica que enfrentava. É  ainda mais assustador quando a desigualdade se expressa em números, sendo que apenas trinta e seis por cento dos alunos de rede pública alcançam o ensino superior, enquanto que na rede privada, esse número chega a setenta e nove por cento.

Em suma, é possível constatar o desleixo do Estado com a educação pública, tornando a realização profissional de milhões de jovens, algo que deveria ser comum para que o desenvolvimento do país avance, um sonho quase inalcançável. Caberia então ao Ministério da Economia agir em conjunto com o Ministério da Educação, criando um projeto de auxílio financeiro à famílias brasileiras e às escolas, garantindo que crianças e jovens possam ter acesso à educação de qualidade, trabalhando em conjunto com governos municipais e até mesmo escolas particulares, garantindo bolsas e oportunidades.