O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 05/11/2021
Promulgada em 1988, a Constituição da República do Brasil instaura como dever do Estado garantir ensino de qualidade para a população. No entanto, quando se analisa a questão das disparidades entre a qualidade do ensino público comparado ao privado, percebe-se que o ente referido falhou na garantia desse direito. Sob esse viés, para a reversão desse cenário, é indispensável averiguar como as condições sociais e econômicas que o estudante está inserido contribui para o impasse.
Em primeiro lugar, de acordo com William Lewis “a educação nunca foi uma despesa, sempre foi um investimento com retorno garantido”. Porém, quando observamos a situação da educação pública brasileira, percebe-se que os recursos direcionados não estão sendo suficientes para manter nossos jovens na escola. Assim, a taxa evasão escolar dos estudantes populares chega a 25,5 % na primeira série do ensino médio. Nesse contexto, segundo professor Murilo Marques, em sua entrevista para a Pontifícia Universidade Católica (PUC), justifica-se o dado pelo motivo de que o estudante carente tem preocupações que vão além da aula, tais como se terá alimento para uma próxima refeição ou se conseguirá conciliar o estudo com o trabalho, evidenciando que oferecer ensino gratuito não cessa todas as adversidades enfrentadas pelos alunos carentes.
Outrossim, ressalta-se que a pandemia do Coronavirús acentuou ainda mais a desigualdade. Pois, é inegável o contraste entre a qualidade do ensino, infraestrutura, organização e método, salientando também que de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 4,3 milhões de jovens não tem acesso à internet em casa, fato que no cenário atual, em que todo o ensino passou a ser remoto, foi um grande agravante para ampliar o imbróglio.
Portanto, mediante aos fatos elencados acima, é necessário medidas para pôr fim ao contratempo. O Ministério da Educação deve criar uma bolsa de auxílio permanência para estudantes carentes, os valores seriam depositados em uma conta no nome do estudante, que só poderá ser candidato se passar a apresentar um bom desempenho na escola, obtendo boas notas e poucas faltas. Além disso, veicular na mídias públicas governamentais publicações de incentivo ao estudo, pontuando a sua importância como possibilidade para obter melhores condições de vida, buscando assim superar essa adversidade.