O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 06/11/2021

De acordo com a Constituição Federal Brasileira promulgada em 1988, a educação é um direito de todos, porém, isso ainda não garante a igualdade educacional, pois as desigualdades sociais existentes não permitem a assistência necessária de forma equivalente. Nesse sentido, a parcela menos favorecida da sociedade encontra maiores dificuldades em momentos de conturbações sociais, como no caso da pandemia do Covid-19, além de já terem a precariedade econômica como um obstáculo constante para a educação.

Em primeiro plano, deve-se entender que a crise sanitária, ocasionada pelo Coronavírus, exigiu alterações na educação brasileira que foram mais prejudiciais aos mais necessitados. Pode-se observar isso comparando dados de um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o qual aponta que, no ano de 2020, 70% das escolas privadas permaneceram fechadas, enquanto que na rede pública esse número foi de 98%, evidenciando uma maior influência negativa da pandemia na educação pública. Assim, as desigualdades sociais existentes contribuem para a defasagem da educação da classe média e baixa, uma vez que dificulta o acesso desses a escola e a condições de uma educação eficaz.

Ademais, as condições de subsistência que grande parte da sociedade brasileira vivencia é outro fator impactante na educação brasileira. Isso pode ser comprovado ao verificar uma pesquisa realizada pelo Plano Nacional de Amostra de Domicílio (PNAD) em 2019, a qual apontou que 39% dos abandonos escolares estão relacionados à necessidade de trabalho, fazendo com que a educação deixe-se de ser uma prioridade para esses. Desse modo, a falta do mínimo para sobreviver obriga o abandono escolar, e consecutivamente a exposição a uma vida com menos oportunidades em virtude da baixa escolaridade.

Portanto, ações para mitigar os impactos educacionais derivados das desigualdades sociais devem ser colocadas em prática. De início, deve o Ministério da Educação promover melhores condições de acesso e do ambiente das instituições públicas, por meio de investimentos na estrutura física das escolas, o que proporcionará maior segurança, além de planos contingentes como plataforma virtual e treinamento dos docentes para assegurar uma maior qualidade e acesso da rede pública de ensino. Deve também, o Governo Federal apoiado por Organizações não Governamentais desenvolver centros de convivência para o aluno, por intermédio de ambientes que ofereçam alimentação, consultas comunitárias e projetos educacionais, a fim de oferecer condições para a parcela carente da sociedade de permanecer na escola e ter melhores condições de vida.