O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 04/11/2021

Segundo a Constituição de 1988, o Estado deve fornecer aos cidadãos uma educação de qualidade. Entretanto, a ineficiência desse direito e a falta de condições da maioria da população brasileira de conseguir fornecer uma educação privada a seus filhos, tem como resultado um país com uma desigualdade escolar entre os jovens. Sendo assim, percebe-se que as consequências da desigualdade social na formação escolar persiste no Brasil, seja pela miséria enfrentada por uma parcela da população, seja pela falta de escolarização no ambiente familiar.

Nesse sentido, infere-se que precária situação financeira de uma parte da população é fator determinante para a permanência do problema. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), cerca de 15 porcento da população brasileira vive em estado de miséria. Desse modo, com esse problema da miséria na sociedade, a desigualdade escolar fica ainda mais agravada, já que o ensino público tem menor qualidade nas áreas carentes e de modo que as pessoas que vivem nessa situação não terão condições de matricular seu filho em uma rede de escola privada, favorecendo assim a desigualdade escolar entre os estudantes do país.

Além disso, a falta de representantes nas famílias carentes contribui para a presença do problema. Segundo Rupi Kaur, a representatividade é vital. Desse modo, como as famílias mais carentes tem tendência a possuir menor escolaridade, segundos dados da própria FGV, a falta de figuras que se dedicaram aos estudos afetam a escolaridade dos mais novos,  já que se sentirão menos incentivados e apresentarão maior tendência a abandonar a escola. Dessa forma, aumentando a disparidade escolar na sociedade.

Infere-se, portanto, que as consequências da desigualdade social na desigualdade escolar devem ser mitigadas. Logo, cabe ao Ministério da Educação criar uma reformulação da grade escolar, feita por meio da inclusão de matérias fundamentais aos alunos e da exclusão de matérias que não favoreçam o desenvolvimento do jovem, a fim de fornecer o direito da população de ter uma educação de qualidade, para que os níveis de educação pública e privada consigam se igualar. Tal ação pode, ainda, conter medidas que estimulem o aluno a se manter no ambiente escolar. Somente desse modo, será possível, enfim, tem uma sociedade com uma menor disparidade entre os níveis escolares de seus jovens.