O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 13/11/2021

O filme “Que horas ela volta?” aborda a desigualdade social em diversos fatores, incluindo o educacional ao demonstrar a diferença existente entre os estudos do filho de uma família de classe média alta e os da filha de sua empregada doméstica. Concomitantemente ao exposto pelo filme, percebe-se o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares em nossa realidade, ao notar-se que ocorre interdependência entre ambas, principalmente ao se verificar a falta de investimento governamental em instituições públicas de ensino, além da infraestrutura precária de escolas gratuitas quando comparadas àquelas frequentadas por jovens pertencentes a classes econômicas superiores.

Inicialmente, pode-se mencionar que a Constituição Federal de 1988 (CF 88) garante o direito de educação a todos como dever do Estado. Apesar da garantia de educação, ainda carece-se de medidas que regulem o nível educacional entre escolas privadas, frequentadas por pessoas de classes sociais mais elevadas, e públicas, que oferecem escolaridade para a população que não consegue arcar com os custos de escolas particulares. Dessa forma, a desigualdade educacional é percebida como um impacto da desigualdade social, considerando que o Estado ainda não realiza investimentos em educação que equilibrem escolas públicas de áreas mais carentes a escolas particulares de áreas nobres.

Sob essa análise, torna-se válido o ponto de infraestrutura precária nas instituições públicas de ensino, colocando em enfâse dados do Censo Escolar de 2017 que apontam que por volta de 40% das escolas públicas brasileiras não possuem rede de esgoto. Além de mostrar-se um problema que afeta a saúde pública, pode-se perceber o grande contraste comparado a instituições de ensino particulares que além de não sofrerem com a falta de saneamente básico, muitas vezes possuem infraestrutura que oferece além de suporte a educação, lazer. De acordo com dados do inep, 90% dos alunos de ensino fundamental estudam em colégios públicos, sendo assim percebe-se que enquanto a maior parte dos jovens em idade escolar sofre com a precariedade, uma minoria é privilegiada em sua educação, acentuando-se ainda mais a desigualdade escolar baseada na social.

Levando em consideração os dados citados, percebe-se que a falta de investimento estatal em educação faz com que a desigualdade social tenha grande interferência na desigualdade escolar. Urge, portanto, que o Ministério da Educação crie um projeto de aumento de injeção de verba em escolas públicas, objetivando equiparar a infraestrutura às escolas privadas, fazendo com que além de garantir a educação a todos, como previsto na CF 88, garanta-se a equiparação de nível de estudos nas instituições de ensino do país, atenuando-se os impactos das desigualdades sociais nas escolares.