O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 05/11/2021

A Constituição Federal de 1988 garante, como direito básico inerente a todo cidadão brasileiro, acesso a uma educação básica de qualidade. No entanto, hodiernamente, essa não é uma realidade para grande parcela da população que sofre os impactos das desigualdades sociais nas desigualdades escolares. Dessa forma, ao invés de aproximar a realidade proposta pela Carta Magna da vivenciada pelo corpo social, o baixo investimento nas políticas públicas voltadas para a educação e a grande desigualdade econômica no país colaboram para a persistência da problemática.

Convém ressaltar, a princípio, o baixo investimento nas políticas públicas voltadas para a educação como um dos entraves para a solução do problema. De acordo com dados da pesquisa realizada pela CNN Brasil, no ano de 2020, o Brasil teve o menor valor de investimento na educação básica em uma década. Nesse contexto, pode-se observar que se cria uma lacuna ainda maior entre os estudantes da escola privada e pública, uma vez que os que possuem acesso a uma educação privada têm um melhor ensino básico, aumentando assim, não só a desigualdade escolar, como também a desigualdade social pois sujeitos com um acesso a uma educação básica de qualidade possuem mais oportunidades de estudo superior e trabalho.

Outrossim, a desigualdade econômica do país também contribui para o problema. Conforme um levantamento realizado pela CNN Brasil, o Coeficiente de Gini, indicador econômico de desigualdades, encontra-se em 89 no país. Nesse sentido, pode-se observar que a lacuna entre os mais ricos e os mais pobres do Brasil está cada vez maior, já que somente uma pequena fração da população brasileira detém os recursos financeiros. Nesse caso, aumentam-se as lacunas sociais e escolares, visto que apenas uma pequena parcela da sociedade terá acesso a uma educação de qualidade. Logo, o acesso a uma educação básica de qualidade transforma-se em um privilégio e não em um direito.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção no que tange ao baixo investimento de políticas públicas voltadas para a educação. Assim, o Ministério da Educação, em conjunto com os estados e municípios, deve desenvolver ações que proponham  uma solução para o baixo investimento financeiro na educação. Tais ações devem ser desenvolvidas nas escolas por meio da implementação de recursos financeiros voltados para a capacitação e contratação de novos professores, bem como a aquisição de materiais pedagógicos de qualidade, a fim de mitigar as desigualdades escolares provocadas pelo baixo investimento financeiro na educação pública. Diante disso, será possível construir um país que se iguale ao proposto pela Constituição.