O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 10/11/2021
Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viès, talvez, hodiernamente, ao se deparar com o impacto das desigualdades sociais no âmbito escolar, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete um cenário excruciante, no qual as pessoas que dispõem de menos recursos são submetidas a situações adversas, assim, evidenciando uma grave mazela, pois, acomete o bem-estar coletivo. Portanto, é mister anuir que a precariedade de instituições públicas de ensino, adjunto ao descaso do Governo, são as razões para cristalização da revés na sociedade.
Em primeira instância, é fulcral assentir que as desigualdades sociais afetam as pessoas de diferentes maneiras, em especial, no ambiente escolar, pois, concebe discrepância de oportunidades entre os estudantes. Logo, proporcionando um panorama aflitivo, haja vista que, alguns indivíduos privilegiados conseguem ingressar em escolas adquadas, enquanto outros são acometidos pela precariedade das instituições públicas de ensino, dessa maneira, prejudicando sua eficiência de estudos. Nesse contexto, é explícito o quanto a comunidade menos favorecida é desamparada e possui dificuldades, as quais, geralmente, trazem consequências negativas, bem como desvantagens escolares. Destarte, é notório a semelhança entre o quadro contemporâneo e o darwinismo social, em razão de ambos evidenciarem que os povos que possuem mais benefícios são superiores.
Em segunda análise, urge ratificar que o poder público é responsável pelo panorama abjeto, tendo em vista que, ao não se mobilizar para combater o empecilho, ele se tornou complacente. Dessa forma, contribuindo para o progresso dessa adversidade na sociedade, ignorando sua responsabilidade com a população em garantir o bem-estar comunitário. Sob essa óptica, impende atribuir ao Estado o conceito de “Instituição Zumbi”, criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para definir instituições que não cumprem com suas funções, todavia mantém suas formas. Outrossim, há uma violação a Declaração Universal dos Direitos Humanos, devido ao desamparo com a comunidade com ínfimos privilégios que possuem sua vida acometida por obstáculos e desigualdade, não sendo corroborado a igualdade civil.
Dessarte, para evitar um cenário semelhante ao século XVII, o qual era vítima das críticas de Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva, promova uma reforma nas instituições públicas de ensino, afim de proporcionar insfraestrutura adequada e excelente educação, assim coibindo as desigualdades com os mais privilegiados, por meio de um amplo investimento, difusão de oportunidades e assistência governamental. Desse modo, corroborando uma realidade mais igualitária, o bem-estar social e excepcional didática.