O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 15/11/2021

De acordo com a Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, todo cidadão tem direito à educação. Porém, hodiernamente, a aplicação dessa diretriz possui grandes desigualdades, principalmente em questão de renda, com poucos investimentos na educação e grande evasão escolar. Dessa maneira, são visíveis os impactos das desigualdades sociais nas escolas, como a menor possibilidade de conseguir uma melhora nas condições de vida e a maior dificuldade de permanecer na escola sem uma renda para necessidades básicas.

Em primeira instância, é necessário frisar que a escolaridade pode ser a esperança do indivíduo pobre, pois com ela existe a maior chance de conseguir um emprego e mudar de vida, ou ao menos ter uma qualidade de vida aceitável. Assim, é viável citar que de acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20% das pessoas com idades entre 14 e 29 anos não tinham terminado alguma das etapas da educação básica, sendo a falta de interesse na escola uma das principais causas. Dessa forma, é perceptível que parte dessa evasão deve-se a falta de esperança no sistema de ensino brasileiro, que não dá oportunidade o suficiente para alunos de baixa renda, como cursos profissionalizantes acessíveis e bolsas escolares.

Em segunda instância, as desigualdades sociais também culminam na evasão escolar pela necessidade dos estudantes de trabalhar para complementar a renda insuficiente, o que provoca uma grande disparidade em relação a indivíduos que não precisam sair da escola para trabalhar. Nesse ínterim, dados do IBGE revelam que pessoas de 12 a 14 anos que possuem uma renda familiar acima de dois salários mínimos têm em média o dobro de anos de estudo em relação a pessoas abaixo desse rendimento, o que revela que a desigualdade social impacta profundamente no número de anos escolares e consequentemente na qualidade de vida.

Em vista dos fatores apresentados, é visível que são significativos os impactos das desigualdades sociais na vida escolar. Desse jeito, cabe ao Ministério da Economia, juntamente com o Ministério da Educação, disponibilizar bolsas para os alunos de baixa renda, por meio do dinheiro público, para que esses cidadãos não necessitem trabalhar para o próprio sustento e da família e continuem na escola, resultando assim em uma melhor qualidade de vida da população e uma boa formação escolar.