O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 07/11/2021
Carlos Drummond de Andrade, em seu poema " No meio do caminho", retrata o percurso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do poema do contista não tenha sido escrito sob o viés social percebe-se um alinhamento com a relidade brasileira, no que tange ao impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares. No sentido de que é um notório problema social que persiste sem solução, em razão da falta de políticas e do silenciamento social.
Em primeira análise, nota-se que o despreparo governamental é causa manifesta da matéria. Sobre isso, Abraham Lincoln, célebre personalidade política americana, disse, em seus discursos, que a política é serva do povo e não ao contrário. Em relação a tal a afirmação, nota-se uma inconformidade sobre os efeitos da segregação social no ambiente escolar e a atuação do Estado brasileiro, no sentido de que, ao contrário do que Lincoln explanou, a política atual não serve ao povo com ações, planos e metas públicas que tratem dos impasses causados pela problemática. Com efeito, o absenteísmo e o fracasso escolar são as consequências inadmissíveis dessa lacuna e que necessitam de resolução.
Da mesma forma, tem-se o silenciamento social como fator coadjuvante do revés. Em consonância a isso, a escritora brasileira Martha Medeiros, discorre, em uma de suas obras, sobre a falta de debate social, afirmando que o indivíduo silencia tudo aquilo que ele não quer que venha à tona. Desse modo, é notório a relação da afirmação da autora e a questão das consequências da disparidade social nos locais de estudo, já que o Estado mantém essa questão silenciada, pois seu debate trará a exposição de muitos reveses e a fundamentação de incontáveis consequências, das quais, seus responsáveis, não demonstram capacidade para dirimir.
Portanto, algumas medidas são necessárias para solucionar a problemática. Sendo assim, a população, por meio de um projeto social online, deve criar uma campanha de incentivo, que trabalhe paralelamente com ações governamentais, como na questão do impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares. Tal campanha deve ter repercussão nacional e representantes de todos os Estados brasileiros, para que se possa cobrar do Estado maiores ações, planos, metas, projetos e investimentos públicos voltados para a sociedade. Além disso, o Ministério da Educação, por intermédio das escolas e universidades, deve criar oficinas e palestras de debate para minimizar o silenciamento social em torno do problema. Espera-se, dessa forma, que a população possa exercer seu protagonismo e trabalhar em parceria com o poder público. Somente assim, a questão deixará de ser uma pedra no caminho da sociedade.