O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 07/11/2021
O pensador Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende o encargo do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso do corpo social. No entanto, ao observar o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares, a premissa do filósofo vai de encontro com o cenário vigente, uma vez que o poder público não direciona um olhar para ações que poderiam solucionar tal impasse. Diante disso, é inevitável identificar a inoperância estatal e a desigualdade econômica como impulsionadores da questão.
A princípio, convém ressaltar o baixo investimento em políticas públicas direcionadas para a educação como um embargo para a resolução do problema. Conforme dados da pesquisa produzida pela CNN Brasil, no ano de 2020, o país dispôs o menor custo de investimentos na educação básica em dez anos. Nesse âmbito, pode-se verificar que se cria um grande espaço entre os estudantes da rede pública e privada, posto que os que possuem alcance ao ensino privado têm uma melhor instrução básica, ampliando, assim, a desigualdade escolar e social, pois indivíduos com acesso a uma educação de excelência portam maiores chances de estudo superior e emprego.
Ademais, a diferença econômica do país é outro tópico pertinente nessa temática. Segundo Aristóteles, a política existe para certificar o bem-estar dos cidadãos. Contudo, isso não acontece perfeitamente na realidade, pois, com a diferença de classe de cada indivíduo, cria-se uma hierarquia subentendida e normalizada. Sendo assim, em razão dos obstáculos enfrentados pelos alunos de classe social mais vulnerável os estudos são abandonados, visto que têm de ajudar suas famílias financeiramente. Evidência disso é que dados do jornal G1 mostram que 20% dos alunos não concluem o ciclo educacional. Logo, faz-se imprescindível a mudança dessa atitude.
Portanto, medidas são necessárias para a solução do impasse. O Ministério da Educação, somado aos estados e municípios, deve expandir ações que visem sugerir uma resolução para o baixo investimento financeiro na educação. Tais intervenções devem ser elaboradas nas escolas através da implementação de recursos financeiros voltados para a qualificação e admissão de novos professores, tal como a obtenção de materiais didáticos de qualidade, com o fim de paliar as desigualdades escolares instigadas pelo raso investimento monetário na educação pública. Perante o exposto, será factível construir um país que se nivele ao proposto por Thomas Hobbes.