O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 06/11/2021

A Agenda 2030 é formada por dezessete objetivos da Organização das Nações Unidas para transformar o mundo. O quinto objetivo propõe a democratização do ensino, assegurando uma educação de qualidade a todos indivíduos. No entanto, hodiernamente, ao assimilar a meta do órgão do mundial à realidade brasileira, é imperioso salientar que há o seu descumprimento em relação ao impacto das desigualdades socias nas desigualdades escolares devido à dificuldade de acesso educacional pelos cidadãos desfavorecidos economicamente e à diferença entre as aulas públicas e particulares. Por consequência, são necessárias medidas para reverter esses problemas.

Em primeira análise, a obra “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, tem o enredo voltado a um grupo de crianças órfãs moradoras de rua que lutam juntas pela sobrevivência. Como elas não têm responsáveis, são obrigadas a trabalharem para conseguirem se sustentar, o que acarreta a não ida delas às instituições educativas, fato que, na narrativa, mostra as consequências de tal atitude, como o não conhecimento da leitura por um dos jovens. Assim, ao assimilar a ficção à realidade, fica evidente que a dificuldade de acesso educacional pelos cidadãos desfavoráveis economicamente fomenta a segregação do ensino, uma vez que há a necessidade deles de trabalhar para os seus sustentos, propiciando a não ida às instituições.

Outrossim, em um dos capítulos do livro “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, os protagonistas Capitu e Bentinho, na infância, brincam de fazer perguntas um ao outro e o que mais errar deve fazer algum desafio.  Por ser a jogadora que mais perde, Capitu reflete como Bentinho é mais beneficiado por ser rico, dado que ele é educado por um professor particular e ela, filha de um simples comerciante, tem o único recurso de ir às escolinhas municipais, onde, segundo ela, não há tanto fluxo de informações. Logo, ao analisar a situação mencionada, é visível a diferença entre as aulas públicas e as privadas, já que, de acordo com a concepção da protagonista, há a primazia dos alunos do ensino privado por estarem expostos ao maior fluxo de informações.

Desse modo, são necessárias ações capazes de mitigar essas problemáticas. Para tal, os governos municipais devem garantir o cumprimento dos direitos dos habitantes, por meio do envio monetário mensal aos necessitados, para que os desfavoráveis economicamente tenham uma renda, não tendo que escolher entre o trabalho e o estudo. Ademais, os cidadãos devem exigir os seus direitos, por intermédio de passeatas e debates, a fim de que o governo seja pressionado a investir na infraestrutura municipal, havendo a igualdade entre as instituições públicas e privadas. A partir dessas atitudes, o combate ao  impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares terá êxito.