O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 07/11/2021
Na obra ‘‘Utopia’’, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, isenta de conflitos socioeconômicos, em que todos os cidadãos são educados de maneira igualitária. Fora da ficção, entretanto, na contemporaneidade brasileira, tal equidade não é colocada em prática, uma vez que existe uma grande disparidade entre a educação privada e pública, o que gera uma diferença na qualidade educacional. Nesse contexto, cabe analisar os fatores que influenciam as diferenças educativas, tais como a influência do setor financeiro e a inoperância estatal.
Mormente, faz-se evidente a influência das distinções econômicas no aspecto educacional. Sob essa análise, conforme o filósofo Michael Sandel, a mercantilização atual faz com que ricos e pobres tenham vidas cada vez mais separadas, e tal lógica de mercado se reproduz na sociedade. Nesse viés, infere-se que a logística capitalista penetra em outras instâncias, o que inclui a educação, e faz com que as desigualdades econômicas influenciem as diferenças educacionais. Dessa forma, a população economicamente domintante usufrui de melhores oportunidades de formação escolar e qualidade de ensino, enquanto as classes marginalizadas carecem de estímulos e recursos que assegurem o parendizado. Assim, as disparidades financeiras dificultam a isonomia na educação.
Outrossim, é fato que a inobservância governamental intensifica as diferenças no aprendizado. Isso posto, conforme o filósofo Aristóteles, a política deve ser otimizada para garantir equilíbrio na sociedade. Sob esse prisma, depreende-se que é de suma relevância a presença de mecanismos que controlem as falhas sociais, sobretudo a carência educacional em determinados grupos. Entretanto, a ausência de medidas efetivas que assegurem estímulos e recursos educativos à toda a população faz com que parte da comunidade seja impedida de aderir às escolas e universidades e, por conseguinte, a formação escolar torna-se restrita àqueles que estudam em condições privadas. Dessarte, a negligência do governo em relação aos insumos educacionais inviabiliza a equidade.
Portanto, é indiscutível cessar as desigualdades escolares no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, responsável por zelar pelo aprendizado, garantir a isonomia de oportunidades entre as classes sociais, por meio de investimentos financeiros na qualificação das estruturas escolares municipais e estaduais e capacitação de profissionais educadores, a fim de eliminar a influência das disparidades entre setor público e privado no setor educativo. Assim, a equidade social preconizada na obra Utopia será colocada em prática na educação brasileira.