O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 08/11/2021

A Constituição Federal de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo V que todos são iguais perante a lei, direito inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa as desigualdades sociais no ambiente escolar. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que contribuem para a problemática em questão.

A princípio, convém enfatizar que mais de 80% do alunos do ensino básico estão na rede pública. Isso porque a maioria destes possui baixa renda econômica, o que justifica a grande porcentagem de alunos usufruindo do ensino das escolas públicas. A partir disso, pode-se notar a grande taxa de abandono da escola ou até mesmo a reprovação, exatamente porque a grande maioria deixa os estudos de lado para trabalharem e assim conseguirem ajudar nas despesas de casa.

Outrossim, vale ressaltar a pandemia do COVID-19 como um fator que favoreceu as desigualdades escolares. O acesso as aulas remotas, não favoreceu aqueles que não possuem condições de obter um plano de internet ou que não moram em locais com bom acesso, como nas zonas rurais, dificultando tal fator. De acordo com o geógrafo Milton Santos, existe um despotismo de informação, onde certas regiões concentram-se tecnologias, enquanto outras têm um menor acesso ou quase nenhum.

De acordo com os fatos expostos, conclui-se que é indispensável a criação de intervenções que ajudem a minimizar as desigualdades. Com isso, é de dever do Ministério da Educação- órgão responsável por políticas educacionais- organizar palestras e ações que tenham como objetivo despertar nos alunos um maior interesse pela escola, à fim de que tenham menos reprovações, como foi citado. Além disso, o Governo Federal deve formular programas direcionados à alunos que possuem baixa renda, para que assim consigam conciliar trabalho e estudo. Deve também buscar a criação de um aplicativo de celular (visto que, o Estado deve proporcionar aos alunos, estas ferramentas)que não precise de internet, para que todos consigam ter acesso ao conteúdo escolar programado pelos professores durante a pandemia. Infere-se que essas atitudes dariam ênfase no artigo V da Constituição Federal.