O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 11/11/2021

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, em que o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, hodiernamente, o que se observa é o oposto do que o autor prega, dado que se faz necessária a discussão do impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de investimento governamental, quanto de uma população economicamente assimétrica.

A princípio, é válido pontuar que a negligência do Estado para com a sociedade desfavorecida, no que se diz respeito a investimentos no ramo da educação, acentua de forma clara as desigualdades, dificultando a inserção dessa população no mercado de trabalho e na efetividade do cumprimento dos seus papéis sociais. De acordo com uma matéria publicada pelo G1, houve uma redução do investimento em educação básica no Brasil, uma queda de 47% em uma comparação feita entre os anos 2016 e 2020. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de seus direitos indispensáveis, o que, infelizmente, é evidente no país.

Ademais, é imperioso apontar a discrepância econômica da sociedade brasileira como um fator significativo na intensificação da problemática, visto que aqueles que se encontram na base da pirâmide social moderna, não possuem recursos para competir com aqueles com condições de usufruir do básico e ainda gozar de outros privilégios. O reflexo dessa realidade está no aumento constante da evasão escolar nas instituições públicas. Conforme dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a evasão escolar no Brasil atinge 5 milhões de alunos. Esses números aumentaram em 5% entre os alunos do ensino fundamental e 10% no ensino médio. As estatísticas mostram a realidade de milhares de estudantes, que por falta de condições financeiras, acabam tendo que desistir do seu futuro. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a urgência de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo federal, juntamente ao Ministério Público, invista em projetos na educação, construindo escolas com infraestrutura necessária para atender as comunidades mais vulneráveis, proporcionando a essa população o suporte educacional essencial para a sua formação, além de fornecer assistência financeira aos jovens de baixa renda, por meio da criação de um programa de auxílio, que será destinado aos gastos com educação, a fim de permitir que esse grupo desfrute daquilo que lhe são de direito. Somente assim, é possível se aproximar de uma sociedade utópica como proposta por Thomas More