O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 09/11/2021

A Constituição brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante o direito a todos os cidadãos ao acesso à educação. Entretanto, diante das diversas desigualdades sociais essa garantia tem sido prejudicada. Sob essa ótica, as evasões escolares, bem como os estereótipos criados aos grupos vulneráveis, são fatores preponderantes para o desequilíbrio social.

A princípio, é fundamental ressaltar que as diferenças socioeconômicas afetam o setor educacional. Nesse sentido, segundo o INEP, em 2018, 12% dos adolescentes abandonaram as escolas, tendo em vista que boa parte era baixa renda. Percebe-se, nesse viés, que existe uma grande divergência entre ricos e pobres, sendo que esses precisam trabalhar para ajudar com as compras em casa. Dessa forma, o nível de evasão escolar aumenta significativamente, em consonância com a desigualdade social, e a camada mais vulnerável torna-se prejudicada e com poucas oportunidades educacionais e de empregos formais.

Ademais, convém salientar que existe muito preconceito na sociedade e a criação de estereótipos afeta negativamente os estudos. Nesse sentido, consoante a escritora Carolina Maria de Jesus, em sua obra “Quarto de despejo”, a sociedade olhava para ela e seus filhos com desprezo por serem pobres e negros. De maneira análoga, isso ocorre a todo instante no tecido social, sendo os grupos vulneráveis, moradores de rua, baixa renda e negros considerados pessoas sem perspectiva de mudanças socioeconômica. Em vista disso, o ambiente escolar se torna massivo por se preocupar com notas e desempenho, e não em criar cidadãos mais humanos, com empatia e respeito às diferenças. Por conseguinte, os indivíduos que pertencem aos grupos vulneráveis desistem do ensino, pois esse parece não oferecer muitas oportunidades, pelo contrário, sustenta ainda mais a discrepância das classes sociais no Brasil.

Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas, a fim de cumprir com as garantias da Carta Magna. Para isso, cabe ao governo, como instância máxima da esfera executiva, investir em políticas públicas voltadas à educação, por meio de leis orçamentárias que destinam verbas para uma melhor infraestrutura, professores de qualidade e um acervo diversificado de livros. Por fim, faz-se necessário que o Ministério da Educação inclua na grade curricular disciplinas que ensinem aos discentes a respeitar as diferenças e olhar para o próximo com alteridade e empatia. Assim, as oportunidades educacionais serão mais abrangentes e os estereótipos desfeitos.