O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 10/11/2021

No filme, “escritores da liberdade”, retrata a história de uma professora que conseguiu um emprego em uma escola de bairro pobre marcada pela violência. Durante todo o enredo, mostra-se as dificuldades da instituição no que se diz respeito ao ensino, bem como a má vontade dos alunos até o caminho do aprendizado. Fora da cinematografia, também é evidente tal problemática nos institutos educacionais públicos brasileiros, ainda mais comparando-os às escolas particulares do país. Dessa forma, destacam-se dois aspectos importantes: evasão escolar e disparidade estrutural.

Em primeiro plano, vale destacar que alunos de instituições públicas estão mais suscetíveis ao abandono escolar. Em uma pesquisa realizada pela revista exame, a taxa de reprovação e abandono de quem cursa na rede pública é aproximadamente dez vezes maior do que os que cursam em âmbito particular. Esses números também refletem a discrepância financeira entre as classes, já que muitos discentes que abdicam dos estudos, possuem motivos financeiros e não conseguem conciliar a educação com o trabalho. Nesse contexto, é válido salientar a importância da escola para a formação do indivíduo, bem como uma estruturação financeira.

Ademais, cabe ressaltar o abismo entre a rede pública e a particular, no que se diz respeito à estrutura. Segundo o economista Arthur Lewis, educação nunca foi despesa, e sim, um investimento com retorno garantido. Destarte, podemos atribuir a qualidade de ensino das instituições privadas à inserção tecnológica no ambiente educacional, propiciando um desempenho superior ao que é vivenciando nos institutos governamentais. Ou seja, alunos de escolas privadas possuem uma certa “vantagem” em relação aos demais, principalmente tratando-se de concursos e vestibulares. Desse modo, a questão estrutural das instituições devem ser vistas com um maior apelo, a fim de aproximar-se da igualdade.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar as desigualdades em âmbito educacional. Cabe o Ministério da Educação e Cultura (MEC), em parceria com o Ministério da Tecnologia, Ciências e Inovações (MCTI), promover um plano de reestruturação nas escolas públicas - dando ênfase na área tecnológica, por meio de um investimento pesado, com o intuito não só de garantir uma maior qualidade de ensino, mas também de incentivar os jovens a continuar estudando, diminuindo as taxas de evasão escolar. Só assim, o Brasil aproximar-se-á de uma igualdade social, fugindo da realidade vivenciada em “escritores da liberdade”.